Corrupção

corrupcaoA corrupção, também conhecida como cunha, jeitinho, favorzinho, atençãozinha (entre muitos outros epítetos carinhosos), é o acto de aceitar uma qualquer forma de gratificação para facilitar a vida a alguém de forma menos legítima e mesmo que isso possa prejudicar terceiros. A gratificação referida pode ser feita na forma de objectos, dinheiro ou favores. Além disso, a corrupção pode ser activa ou passiva, característica que partilha com o sexo anal, actividade que também é usada com frequência como forma de pagamento.

As suas origens remontam à pré-história, como se verifica nas pinturas rupestres das grutas de Lascaux onde se vêem duas figuras humanas envolvidas num ritual de passagem de um envelope arcaico cheio de notas (possivelmente folhas de árvore secas) para conseguir um melhor quinhão de carne de mamute. Séculos mais tarde, de acordo com a “Odisseia” de Homero, os gregos conseguiram entrar nas muralhas de Tróia servindo-se de um subterfúgio não previsto pelo regulamento da guerra e viram-se forçados a enviar um grupo de prostitutas hititas aos aposentos dos árbitros do conflito para que fechassem os olhos à infracção e não os desqualificassem.

Nos moldes em que hoje a conhecemos, a corrupção moderna foi criada em meados do século XVIII por dois primos portugueses, Sebastião e Alfredo da Cunha, dois boticários de Lisboa que baptizaram a sua invenção com o nome de uma sopeira conhecida de ambos, Maria da Corrupção de Jesus. Ironicamente, a invenção foi bem-intencionada, pretendendo-se apenas criar um modo de contornar a burocracia de uma administração ineficaz e facilitando a vida aos cidadãos.

Hoje em dia, a corrupção está disseminada por todo o mundo mas com incidências muito diferentes nos vários países. Nalguns está praticamente extinta, enquanto noutros continua a proliferar. Não surpreende que tenha sido elevada à condição de arte em Portugal, o seu berço, onde é cultivada de tal forma que se tornou invisível para muitos portugueses, passando de prática condenável a elemento inseparável da identidade nacional.

Em 1987, um grupo de cientistas italianos da Universidade de Palermo criou uma vacina contra a corrupção que prometia erradicá-la para sempre da face da terra mas, infelizmente, receberam uma “herança de um tio” e “perderam” a fórmula por “acidente.” Se esta descrição da corrupção incomodar alguém, é favor contactar o autor para discutir alterações. Pelo preço certo, claro.

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