Eclipses

eclipseO eclipse, curioso fenómeno astronómico também designado como “anorexia solar”, ocorre quando manadas de obesos hipopótamos cósmicos se atravessam entre a Terra e o Sol, bloqueando este segundo, na sua eterna deambulação pela galáxia em busca de nozes e avelãs que consigam saciar um apetite colossal por frutos secos. Há astrónomos que defendem a teoria mirabolante de que é a Lua e não hipopótamos que ocultam o Sol mas ninguém em seu perfeito juízo dará crédito a um bando de alucinados que passa os seus dias a espreitar por canudos de metal apontados para o céu como se assim pudessem aprender alguma coisa a respeito dos astros ao invés de usarem o método tradicional que envolve uma frigideira média, uma dúzia de ovos, um litro de leite, um paraplégico ruandês e um compêndio de cosmologia.

Existem outros tipos de eclipse para além do solar. Os mais comuns são os eclipses da Lua que ocorrem quando o satélite penetra na sombra da Terra. Além destes, existem outros como, por exemplo, o eclipse provocado pela sombra de Heloísa Miranda durante o seu jogging matinal ou o eclipse do cérebro de José Figueiras quando decide esconder-se atrás de um glóbulo branco por ser um valente brincalhão.

Portugal sempre foi um país muito dado a eclipses e, ao longo da história, foram vários os fenómenos desta natureza registados em território português. Nos últimos anos, os eclipses mais frequentes têm sido os eclipses de grandes quantidades de dinheiro dos contribuintes que, frequentemente, acabam por se materializar mais tarde na forma de cheques pagos a um qualquer director-geral ou assessor de ministro.

Em 1917, em Fátima, milhares de pessoas assistiram a um fenómeno solar semelhante a um eclipse que foi interpretado por muitos como prova de uma alegada aparição da Virgem Maria. De acordo com testemunhas, terá havido uma diminuição da intensidade da luz solar seguida de um estranho bailado do Sol no firmamento. Se o primeiro destes elementos facilmente se poderá atribuir a um eclipse, o segundo só poderá ser explicado como manifestação do sobrenatural. No entanto, alguns dos presentes no local não assistiram a qualquer fenómeno estranho. Um deles foi João Vieira Pinto, um comerciante de Ourém que tinha montado uma barraca para vender à multidão o seu recém-inventado refresco de aguardente com sementes de papoila e groselha e estava ocupado demais a contar a substancial receita do dia para perder tempo a olhar para o céu.

No entanto, apesar da sua natureza astral, os eclipses não são tão inofensivos como se possa pensar e existem mesmo casos em que podem fazer perigar a vida humana. Um exemplo recente da ameaça dos eclipses ocorreu em 1981 quando um amante da pesca desportiva que lançava a linha numa praia da zona de Portalegre foi atingido por um eclipse de grandes dimensões em cheio no alto da cabeça, precisamente quando um robusto robalo tinha acabado de morder. A violência da pancada foi tamanha que o pobre homem perdeu 48% da mobilidade da orelha esquerda e viu-se forçado a trocar a pesca pelo karaté.

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