Sexo

mariabarrosoO sexo é uma prática cujo principal objectivo, no que à natureza concerne, é assegurar a continuidade das espécies. Para que esta prática essencial não seja descurada, o que poderia acarretar consequências graves, a actividade sexual costuma provocar nos praticantes um conjunto mais ou menos variado de sensações prazenteiras. Tal como sucede com outras espécies animais, é através do sexo que os humanos se reproduzem mas com a particularidade de também o praticarem por motivos meramente recreativos e indo ao ponto de assegurar, por recurso a artifícios variados, que a relação sexual não resulte na concepção de um novo ser humano, o que nem sempre é bem-sucedido. Tradicionalmente, a prática do sexo requer a participação de um macho e de uma fêmea da mesma espécie mas, graças à evolução, pode haver um número quase infinito de variações de número, de género e até mesmo de espécie. Os especialistas consideram que, para praticar “sexo de qualidade” são precisos mais alguns elementos. A saber:

-Sais de banho
-Velas perfumadas de vários tamanhos e cores
-Pétalas de rosa
-Óleos e unguentos vários
-Lubrificantes
-Brinquedos sexuais
-Pornografia
-Música ambiente
-Espelhos panorâmicos
-Cama redonda (colchão de água opcional)
-Algemas

A idoneidade dos especialistas referidos não é universalmente reconhecida e há quem considere suspeito o facto de os mesmos serem proprietários de lojas e redes de distribuição dos itens acima referidos. Mesmo que apenas uma percentagem muito reduzida da população esteja disposta a recorrer a todos os elementos necessários à prática de “sexo de grande produção,” este continua (mesmo quando imperfeito) a ser uma actividade bastante popular, ocupando posição de destaque nas listas de actividades predilectas dos vários povos a par com a violência injustificada e a desonestidade.

O desempenho sexual não é idêntico entre homens e mulheres. Por motivos fisiológicos, a performance sexual feminina é sempre perfeita enquanto que a masculina pode variar. Não se trata aqui de um postulado da biologia mas sim do resultado de anos de investigação levada a cabo por revistas femininas que, como se sabe, usam e abusam de métodos científicos (vide a quantidade de testes e inquéritos com que preenchem as páginas que lhes sobram entre a publicidade).

Popular como é, não espanta que o sexo seja também um tema frequentemente abordado pela arte. Na literatura, na pintura, escultura ou música, é impossível encontrar uma forma de expressão artística em que o sexo não esteja presente. Pela sua natureza, a disciplina artística em que a representação do sexo é mais problemática é o cinema. No entanto, ao longo dos anos, desenvolveu-se uma forma específica de sexo cinematográfico diferente do sexo real e com características muito próprias. Salvo desvios criativos, o sexo do cinema é sempre precedido ou por um interlúdio romântico ou por uma discussão intensa, passa por uma fase de deslizar de mãos, entrelaçar de dedos e respirações ofegantes e acaba invariavelmente com os intervenientes deitados numa cama cobertos por um lençol (até à cintura no homem, até ao peito na mulher). Podem fumar-se cigarros ou não, dependendo da sensibilidade do realizador à problemática tabagística. A influência desta variante sexual cinematográfica é de tal ordem que foi adoptada como real por uma grande parte da população e tudo o que se afaste do modelo estabelecido é entendido como “desvio” ou “acto falhado.” Há representações mais realistas do acto sexual no cinema mas costumam ser remetidas para o campo da pornografia (não confundir com a prática de fantasiosos malabarismos sexuais filmados que tem o mesmo nome).

Ao mesmo tempo que é considerado assunto tabu, o sexo é, de forma paradoxal, o assunto mais apetecido e mais vezes referido. Algumas filosofias e modos de vida abstêm-se da prática sexual por considerarem que é um acto impuro. A religião onde a abstinência sexual é um elemento mais marcante é o Cristianismo que considera o sexo como “pecado original” apesar de ser a religião com maior número de fiéis em todo o mundo, o que significa que é também a que mais beneficia com a sua prática desenfreada (o sexo é um assunto muito dado a paradoxos como fica provado). Os sacerdotes católicos, a principal confissão cristã, abstêm-se radicalmente (quase sempre) de qualquer contacto sexual com mulheres. Outros tipos de contactos sexuais são quase tão raros como este.

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