10 coisas odiáveis nos PALOP

palop1-Por mais que se tente, é extremamente difícil encontrar dez motivos de ódio para cada um dos PALOP isolados. Mesmo para o conjunto dos cinco não é brincadeira. E se já é difícil para os maiores, Angola e Moçambique, imagine-se como será com Cabo Verde, São Tomé e Príncipe ou a Guiné-Bissau. Só isso já constitui motivo de ódio suficiente.

2-O império colonial português em África durou cerca de quinhentos anos. As primeiras tentativas sérias de revolta contra os colonizadores verificaram-se na segunda metade do século XX. Estavam à espera de quê? De um convite por escrito? Nem os brasileiros aguentaram tanto tempo e a maior parte deles até eram portugueses.

3-O crioulo cabo-verdiano é suficientemente distinto do português para impedir a compreensão mútua e suficientemente semelhante para deixar quem ouça uma conversa alheia com esperanças de apanhar detalhes sórdidos. Não se faz.

4-Durante a maior parte a sua existência como país independente, São Tomé e Príncipe foi um país calmo. Nada acontecia. Nada se passava. A partir do momento em que se tornou pública a existência de reservas de petróleo nas suas águas territoriais, houve golpes de estado, levantamentos militares e ameaços de guerra civil de fazer inveja a qualquer outro estado africano. E isto tudo apesar de as forças armadas são-tomenses contarem com 80 efectivos, uma canoa a motor e um helicóptero português ali abandonado e que não funciona desde 1975. É por isso que acredito que as receitas da exploração petrolífera deveriam reverter em meu favor. A bem da paz e da tranquilidade.

5-Depois de décadas de governo ditatorial de Nino Vieira, um golpe militar na Guiné-Bissau permitiu a realização pela primeira vez no país de eleições (mais ou menos) democráticas. Quando o presidente eleito, Kumba Ialá, foi também deposto depois de se perceber que o barrete vermelho o fazia muito parecido com uma personagem do Sítio do Pica-Pau Amarelo, os guineenses foram de novo às urnas e elegeram… Nino Vieira! Isto cabe na cabeça de alguém?! Vamos a ganhar juízo, Guiné!

6-Angola produz 800 mil barris de petróleo por dia, fazendo do país o segundo maior produtor petrolífero do continente africano, logo atrás da Nigéria. Para além do ouro negro, Angola produz também uma parte considerável dos diamantes do mundo e a qualidade dos solos, unida às condições atmosféricas fazia de Angola um dos maiores exportadores africanos de produtos agrícolas na década de 70. Hoje, a maior parte dos angolanos vive em condições de pobreza extrema, tentando recuperar de uma guerra civil que durou décadas e rezando para não pisar uma dos milhões de minas enterradas durante o conflito (em Angola, existem mais minas do que habitantes). Apesar de 85% da população se dedicar à agricultura de subsistência, quase tudo do pouco que os angolanos conseguem comer é importado de outros países. A primeira parte deste parágrafo não bate certo com a segunda. E vice-versa.

7-O Hotel Polana, um dos mais esplendorosos em todo o mundo, fica em Maputo, capital de Moçambique, um dos países mais pobres do planeta. Nem sequer vou pensar nesta. Faz-me doer a cabeça.

8-Antes da independência, os territórios africanos lusófonos eram salpicados por cidades como Sá da Bandeira, Henrique de Carvalho, Carmona, Luso, Salazar, Serpa Pinto, Silva Porto, Nova Lisboa, Lourenço Marques, Porto Amélia, António Enes ou Vila João Belo. Era óbvio que a maior parte destes nomes teria de ser alterada pela sua extrema conotação colonialista. Assim, hoje, temos Lubango, Saurimo, Uíge, Luena, N’Dalatando, Menongue, Kuito, Huambo, Maputo, Pemba, Angoche e Xai-Xai. Ainda bem que decidiram acabar com os nomes esquisitos. Bravo! Nota: De todas as combinações possíveis de sílabas ao acaso com as terminações “ango, inga, ambo, ongo, ondo e anga,” oito em dez corresponderão a nomes reais de cidades em Angola ou Moçambique.

9-O moçambicano Eusébio, considerado um dos maiores futebolistas de todos os tempos, é apenas o mais conhecido dos inúmeros jogadores de futebol nascidos nos PALOP antes e depois da independência que, ao longo dos anos, foram enriquecendo a selecção nacional portuguesa. Apesar disso, o maior feito futebolístico de todos os PALOP foi o apuramento de Angola para o Mundial de 2006, onde promete fazer uma figura quase tão triste como a da selecção portuguesa no último Campeonato do Mundo. Há aqui alguma coisa que não faz sentido.

10-Dos cinco países africanos onde se fala português, em Cabo Verde a maioria da população usa o crioulo como língua do quotidiano; na Guiné-Bissau convivem centenas de línguas nativas e crioulos de base portuguesa, em São Tomé, os são-tomenses usam idiomas formados a partir das línguas maternas dos escravos com que as ilhas foram colonizadas e Moçambique juntou-se à Commonwealth. Resta Angola onde, umbundos e quimbundos à parte, já deve haver um movimento a advogar a adopção do finlandês como língua oficial. Que valente lusofonia!

2 Comentários

  1. São pessoas como o senhor que impedem a verdadeira igualdade social e racial no mundo. “Era óbvio que a maior parte destes nomes teria de ser alterada pela sua extrema conotação colonialista. Assim, hoje, temos Lubango, Saurimo, Uíge, Luena, N’Dalatando, Menongue, Kuito, Huambo, Maputo, Pemba, Angoche e Xai-Xai. Ainda bem que decidiram acabar com os nomes esquisitos. Bravo! Nota: De todas as combinações possíveis de sílabas ao acaso com as terminações “ango, inga, ambo, ongo, ondo e anga,” oito em dez corresponderão a nomes reais de cidades em Angola ou Moçambique.” Vergonha

    • R. Carreira diz:

      São pessoas como a senhora que me dão vontade de esgaravatar o nariz. Opróbrio.