Marques Mendes

Luís Marques Mendes nasceu em Setembro de 1957 na povoação de Azurém, concelho de Guimarães. Dizer que nasceu não corresponde inteiramente à verdade pois, ao invés de ser dado à luz como a maioria de nós, foi encontrado já com corpo de adulto mas medindo apenas 8 cm de altura à sombra das folhas de uma couve-galega.

Com o passar dos anos, foi crescendo até alcançar dimensões corporais mais ou menos normais e com a particularidade de os óculos parecerem fazer parte do seu corpo e lhe terem acompanhado o crescimento. O mesmo é válido para o fato, que já trazia vestido quando “nasceu.” Apesar de poucos terem disso consciência, o fato é sempre o mesmo e não pode ser despido. Para dar uma imagem de variedade no vestuário, vai trocando de gravata e, no Verão, veste um pólo e um par de calças brancas por cima para o comício de “rentré” no Algarve.

Nos últimos anos de uma adolescência exemplar, ainda que marcada por um ou outro namorico (merecendo destaque a paixão pela obesa Mariazinha Gorda, filha do boticário de Fafe, terminada tragicamente quando esta lhe comeu Farrusco, o seu gato de estimação), Marques Mendes matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, depois de recusada a entrada no curso de formação de monges acrobatas do Templo de Shaolin (delegação da Figueira da Foz) por défice de flexibilidade no joelho direito.

Licenciou-se com distinção, tornando-se muito amigo do eminente catedrático e legislador, Jerónimo Gonorreia de Vasconcelos, que o apelidava carinhosamente de “sacana do caixa de óculos que não me larga a toga.”

Interessa-se pela política, mas também pela bovinicultura, pelo aeromodelismo, pela masturbação tântrica e pelo rock progressivo checoslovaco, e, já depois do 25 de Abril (de que só teve conhecimento alguns dias depois, por ter passado os dias históricos a escrever sonetos românticos a um choupo do jardim lá de casa), junta-se ao extinto Partido Revolucionário Vegetariano-Brigadas Interventivas Macrobióticas (PRV-BIM), movimento radical que advogava o uso da violência contra todos os comedores de carne e que teve a particularidade paradoxal de se ter extinguido dois anos antes da fundação.

Foi por esse motivo que o jovem Marques Mendes pôs fim à sua militância vegetariana. A sede do partido tinha sido convertida em retrosaria, sendo difícil convencer o proprietário de que ali passava os dias não por precisar de botões mas por estar à espera dos seus camaradas de luta anti-carnívora. Revoltado, afogou as mágoas em chouriço serrano e presunto de Chaves e acabou por se filiar no PPD de Francisco Sá Carneiro, que conheceu pessoalmente no talho enquanto esperavam ambos uma encomenda de língua de vaca.

A sua ascensão no partido foi vertiginosa e, em 1985, foi convidado para integrar o primeiro governo de Cavaco Silva como Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto e para os Assuntos Parlamentares. Descontente com um cargo de designação confusa e utilidade duvidosa, tornou-se em 1987 Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. Foi também Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro, Ministro dos Assuntos Parlamentares e responsável por ir buscar bebidas frescas nos dias de muito calor em que houvesse reunião ministerial.

Em 2005, foi eleito presidente do PSD em eleições renhidas disputadas com Luís Filipe Menezes e um Francis Obikwelu muito confuso. É deputado da Assembleia da República onde muitos consideram ser um valente pândego apesar de não parecer mesmo nada.

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