Natal

christmas__treeContrariando os muitos que vêem o Natal como uma das datas mais marcantes do Cristianismo, a festa que milhões de pessoas em todo o mundo celebram no dia 25 de Dezembro não passa de uma criação do departamento de marketing da Coca-Cola, marca de refrigerantes mais estimada pela humanidade em geral e por uma percentagem considerável dos pepinos falantes radioactivos do planeta Mordlork (os restantes dividem a sua preferência refrigerantesca entre o guaraná e uma mistura de água com gás e fluidos vaginais da fêmea de uma criatura alienígena com vagas parecenças com o hipopótamo). Em 1953, um publicitário chamado Jackson McCull foi encarregue pela direcção da Coca-Cola de criar uma estratégia de marketing que conseguisse elevar o estatuto do seu produto de bebida mais consumida no planeta para o de bebida mais vendida no continuum espácio-temporal. O resultado foi uma criação mirabolante em torno de um alegado Messias nascido numa manjedoura sinalizada por uma estrela e adorado por três magos do Oriente (numa tentativa óbvia de apelar ao público étnico). O Natal da Coca-Cola pegou de estaca e, em pouco tempo, os valores familiares que o conceito promovia triplicaram as vendas do produto pois é sabido que o convívio com a parentela potencia o consumo de bebidas com gás.

O facto de se ter criado toda uma religião em torno de uma simples estratégia publicitária, e com a agravante de haver quem acredite tratar-se de algo existente há milhares de anos, é completamente alheio aos objectivos iniciais mas a empresa sempre se absteve de tentar desmentir crenças tão entranhadas por receio de reacções adversas.

Outra criação sua, o Pai Natal, é a personagem mais vezes associada à quadra e habitualmente apontado como responsável pela entrega de prendas às crianças de bom comportamento em todo o mundo. Ao contrário do que é habitual dizer-se, o Pai Natal não foi inspirado por São Nicolau mas sim por Ernesto Neves, um camionista português emigrado em New Jersey que tinha como imagem de marca as fartas barbas grisalhas e uma preferência por roupas de cor vermelha, descendo pela chaminé de lares alheios para roubar roupa interior do cesto da roupa suja e levando-a para casa num grande saco, fugindo num volkswagen puxado por renas. O que fazia com o saque nunca se soube mas supõe-se que amontoaria a roupa interior roubada no chão da sala e se rebolaria sobre ela completamente nu.

Apesar da popularidade, o Pai Natal não tem o exclusivo da predilecção natalícia. Em algumas culturas é o Menino Jesus que entrega as prendas. Noutras são os Reis Magos. Entre as culturas que não adoptaram qualquer criação da Coca-Cola, merecem destaque os papuas da Nova Guiné que passam a noite da consoada à espera de um grande javali anafado que salta da selva e se suicida, investindo de cabeça contra uma pedra afiada e presenteando os membros da tribo com as inúmeras prendas com que vinha recheado, nomeadamente rins, intestinos, pulmões, coração e outras miudezas suínas. Chamam os papuas a este grande javali de Natal: “o grande javali de Natal.” A criatividade papua é difícil de duplicar.

Mais variadas ainda do que as figuras adoptadas como ícones natalícios são as variantes regionais na celebração da quadra e que não se ficam pela sensaboria dos jantares em família com iguarias típicas, seguidos pela Missa do Galo e com a troca de presentes incluída algures no meio. Na localidade de Brambolha da Cachaporra, distrito de Viseu, a população sai às ruas na noite de Natal munida de archotes e alfaias agrícolas e procede ao linchamento ritual de todos os judeus, considerados responsáveis pela morte do Deus-Menino recém-nascido. Visto que, graças em grande parte a esta tradição secular, os judeus já não abundam por aquelas paragens, o linchamento estende-se a todos os que pareçam ser judeus ou, em alternativa, a todos os que não sendo ou parecendo judeus, pudessem sê-lo ou parecê-lo numa realidade paralela. Outro exemplo invulgar de celebração natalícia ocorre em Teerão onde, todos os anos, na noite de 24 para 25 de Dezembro, milhões de pessoas jantam calmamente, lavam a louça, vêem televisão e vão dormir, imbuídos do mais profundo espírito de Natal.

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *