Pastéis de pus de Arcajonjes em risco de extinção

A preocupação com a sobrevivência dos produtos tradicionais ao fervor das autoridades de segurança alimentar na aplicação inflexível da lei atingiu níveis alarmantes na aldeia minhota de Arcajonjes, concelho de Ponte da Barca. A população local não tem contido a sua indignação desde que agentes da ASAE se deslocaram à Confeitaria Barroso, único estabelecimento do país onde ainda se fabricavam os verdadeiros pastéis de pus, célebres pelo peculiar travo agridoce e também pela particularidade de serem confeccionados com uma mistura de pus e claras de ovo em partes iguais. Da visita resultou o fecho das portas por tempo indeterminado e uma multa ao proprietário, Gualdino Barroso, por não usar luvas de borracha no manuseamento dos ingredientes. “É um escândalo”, considerou Gualdino. “O meu bisavô começou a fabricar pastéis de pus quando ainda gatinhava e a receita foi passada de geração em geração. Agora, receio que esta tradição tão bonita tenha chegado ao fim.” O ministro da Agricultura, Jaime Silva, garantiu a continuidade do fabrico dos pastéis de pus, bem como de todos os outros produtos tradicionais, incluindo alguns de que é particular apreciador como o arroz de diarreia de Vale Pardo de Barrigães ou a lendária sopa de vidros partidos de Ribeiró da Bardulha.

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