China recua na intenção de explodir prisioneiros políticos na cerimónia de abertura dos Jogos

A organização dos Jogos Olímpicos de Pequim cancelou o espectáculo pirotécnico da cerimónia de abertura no qual prisioneiros políticos seriam besuntados com explosivo colorido e lançados para os ares em mísseis especialmente construídos para o efeito, explodindo em luz e cor. A mudança de ideias surgiu no último momento, depois de os chineses serem alertados por consultores internacionais para a possível reprovação de países mais sensíveis. Recordando que tanto a pirotecnia, como a detenção de pessoas pelos seus ideais são ancestrais tradições chinesas, os organizadores lamentam o cancelamento do número porque, além de ser uma maravilha visual, permitiria eliminar o incómodo dos prisioneiros políticos, deixando estes de existir no país (pelo menos até a fornada seguinte ter idade para protestar) e atendendo finalmente aos apelos das organizações de defesa dos direitos humanos. O presidente do Comité Olímpico Internacional não comentou o facto, mas manteve-se firme na convicção de que a China foi a escolha ideal para acolher os Jogos de 2008, mesmo sendo uma ditadura que ignora os direitos dos seus cidadãos. Como explicação, Jacques Rogge, lembrou que, nas Olimpíadas da antiguidade, os diferendos políticos eram suspensos enquanto durassem as provas, o que será um exemplo a seguir. Indo mais longe, o presidente do COI sugeriu ainda a valorização de outras tradições da Grécia antiga como a discriminação das mulheres ou a escravatura. À luz deste novo espírito, o lema do movimento olímpico será alterado para: “Mais rápido, mais alto, mais forte, mais cuidado com o que dizes e pensas ou vais para um campo de trabalho ser reeducado politicamente.”

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