Crise financeira motiva nacionalização acidental de banco de jardim

Quando Joaquim Pires, jardineiro ao serviço da Câmara Municipal de Lisboa, decidiu solicitar aos seus superiores autorização para intervir num banco degradado do Jardim da Estrela, estaria longe de prever as bizarras consequências do seu zelo profissional. Duas semanas depois da participação, quando Joaquim comprara já madeira e verniz para proceder à reparação, foi surpreendido por uma nota oficial informando-o de que deveria abster-se de qualquer acção porque o referido banco entrara em processo de nacionalização. “Em quarenta anos de profissão, já vi um homem adulto a nadar com os patos e a fazer quá-quá, já encontrei reformados a jogar strip poker em pleno Inverno e até já lidei com alguém que andava a esculpir formas obscenas nos cactos, mas uma coisa destas surpreendeu-me”, refere o jardineiro. O engano ter-se-á devido a erro de processamento do sistema informático da administração central (composto por computadores Magalhães) que terá ignorado a multiplicidade de significados da palavra “banco”, depois de directivas rigorosas para lidar prontamente com todas as dificuldades de instituições bancárias e evitar o seu colapso. Sem querer reconhecer o erro, o governo prepara-se para nomear um administrador para o banco do Jardim da Estrela, bem como uma equipa de oitocentos colaboradores a tempo inteiro, instalados num edifício alugado nas imediações e submetido a dispendiosas obras de remodelação. Entretanto, Dias Loureiro deixou bem claro que nunca se sentou no banco em questão e a Presidência da República tornou público que Cavaco Silva não frequenta jardins porque a cor verde lhe provoca azia. Com o passar do tempo e o aumentar da degradação, o banco nacionalizado foi recentemente removido do local em que se encontrava, mas isso parece não incomodar ninguém.

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