Repórter da TVI 24 alheio a relevância jornalística de acidente de viação

Um repórter ao serviço do novo canal noticioso TVI 24 foi suspenso das suas funções depois de mostrar em directo não conseguir compreender a relevância jornalística do acidente de viação para cuja cobertura fora destacado. O acidente em questão ocorreu numa curva traiçoeira da periferia de Aveiro quando um condutor levemente alcoolizado perdeu o controlo do veículo e atropelou mortalmente um peão. Quem assistia à emissão da TVI 24 (ou “do TVI 24”; o género do canal permanece por esclarecer) depressa constatou que o jovem repórter parecia algo inseguro no seu discurso, como se não estivesse realmente certo quanto ao que fazia. A insegurança tornou-se patente quando se recusou a aceder ao pedido do pivot em estúdio para testar com os dedos a consistência de uma mancha vermelha no asfalto a fim de averiguar se seria sangue ou massa encefálica, deixando cair o microfone e afastando-se do local. Segundo explicação de João Maia Abreu, director do canal, o repórter era um jovem formado no Reino Unido e com estágio na BBC, podendo este afastamento da realidade portuguesa explicar os seus critérios jornalísticos distorcidos. A suspensão que lhe foi aplicada será mantida até reavaliação das suas competências ou até se dispor a facultar gratificação oral diária aos seus superiores hierárquicos durante um mês. Para evitar novos erros de avaliação deste tipo, a TVI 24 prepara um código de conduta para os seus profissionais, explicando que um repórter que veja Manuel Alegre sair da sede do Bloco de Esquerda de mão dada com Osama bin Laden e trazendo uma ogiva nuclear debaixo do braço apenas deverá tentar obter declarações se não existirem nas imediações cadáveres em adiantado estado de decomposição ou criancinhas atacadas por cães ferozes.

Tags:

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *