Rússia garante que componentes electrónicos fabricados na Qimonda não serão usados para fins sinistros

A salvação da Qimonda poderá vir da Rússia com amor*, existindo negociações entre a empresa alemã e o governo de Moscovo para um investimento avultado. Se a preocupação com a sobrevivência da empresa parece próxima do atenuamento, receia-se agora que os russos usem a electrónica que sair da empresa para fins menos claros. Desde a ascensão ao poder de Vladimir Putin, o governo russo parece determinado em reconquistar o estatuto de superpotência do país, abundando relatos de adversários políticos eliminados de formas originais, envolvendo, por exemplo, tartes de creme radioactivas que matam não pela radioactividade mas porque escondem no seu interior tubarões microscópicos que nadam pela corrente sanguínea e comem a vítima por dentro (a radioactividade é apenas para disfarçar). No entanto, tal como existem especialistas conceituados a garantir que o ex-presidente e actual primeiro-ministro não é o monstro que alguns insinuam, ignorando-se a particularidade irrelevante de a sua imagem não ser reflectida por espelhos, o interesse russo na Qimonda não preocupa grandemente os governantes envolvidos no processo. Stanislaw Tillich, ministro-presidente da Saxónia, estado alemão onde se situa a sede da empresa, mostrou-se confiante ao divulgar uma conversa tida com Putin, falando com um inesperado sotaque russo e elevando a voz para abafar os latidos desconfiados do cocker spaniel que criou desde cachorro. Também em Portugal, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, começou por exigir a Moscovo um compromisso com a legalidade mas, depois de picado por um moscardo que voava com zumbido eléctrico e se desintegrou logo após a picada, manifestou o seu gáudio pelo empenho da gloriosa pátria russa em salvar os postos de trabalho dos funcionários da Qimonda de Vila do Conde. O principal alvo das suspeitas, Vladimir Putin, considera que não há motivo para drama. Falando aos jornalistas no seu gabinete, (com o presidente Medvedev sentado na carpete a comer aperitivos de queijo) o primeiro-ministro russo garantiu que os componentes saídos da Qimonda serão usados unicamente para fins legítimos. Em relação a Portugal, disse esperar ser informado da posição oficial do nosso governo logo que José Sócrates envie email confidencial sobre o assunto a um dos seus ministros. Em seguida, desapareceu numa nuvem de enxofre.

* Magnífico trocadilho com o título de um filme da saga James Bond. Quem não achar magnífico, fede deveras.

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