Canonização de Nun’Álvares desilude quem apostava em Catarina Furtado como próxima santa portuguesa

A proclamação de Nuno Álvares Pereira como santo desferiu um golpe violento nas aspirações dos partidários da santidade de Catarina Furtado, uma das mais estimadas figuras televisivas nacionais. Os devotos que já lhe prestam culto (como sucede com outras figuras a quem o povo reconhece santidade, mas que não integram o panteão católico) reúnem-se na singela ermida de Santa catarina da Televisão, situada num recanto do Centro Comercial Colombo em Lisboa, entre uma arrecadação de material de limpeza e as casas de banho. Aí, entregam-se a oração fervorosa e não menos fervorosas sessões de karaoke. Na origem do culto está Maria do Amparo Alves, dona-de-casa de 54 anos, que assegura ser a única portuguesa a saber de cor os nomes completos de todas as as apresentadoras da RTP, feito notável, pois até os responsáveis da televisão pública desistiram de decorar os nomes das inúmeras apresentadoras jovens e vistosas que contratam, optando por marcá-las com ferro em brasa numa nádega para mais fácil identificação. O milagre deu-se quando Maria do Amparo se instalou no sofá para a sessão diária de visionamento televisivo nocturno, preparada para assistir a mais uma edição de “Dança Comigo” (com apresentação de Catarina Furtado e não a versão abastardada com Sílvia Alberto). Mas não havia sinais do controlo remoto. O programa estava prestes a começar, o televisor encontrava-se a uns bons três metros de distância e o marido, sentado a seu lado, começaria a roncar dali a segundos se não surgissem imagens no ecrã que lhe espantassem o sono. Em desespero, Maria do Amparo invocou a apresentadora e o controlo remoto materializou-se do nada quando enfiou a mão na junção entre duas almofadas do sofá. “Ficámos tão maravilhados que assisti ao programa ajoelhada e de mãos postas”, refere a crente. “O meu marido foi ver a bola para a cozinha, mas percebi que estava em êxtase místico pela forma como gritava: Foda-se, Rochemback!.” Mesmo perante a desilusão, os devotos de Santa Catarina não desistem. O processo de canonização continua de pé, tendo sido enviados para Roma testemunhos escritos juntamente com edições gravadas de programas como “Chuva de Estrelas”, “Caça ao Tesouro” ou o comovente “Príncipes do Nada”, além de uma cópia do filme “Pesadelo Cor-de-Rosa” e de uma compilação das cenas mais intensas de “A Ferreirinha”. Seria uma canonização sui generis, visto que a proposta santa nunca foi beatificada e nem sequer morreu, mas os seus fiéis mostram-se confiantes de que o anterior Prefeito da Congregação para as causas dos Santos, o cardeal português D. José Saraiva Martins, terá compreendido o significado do envelope de notas anexo. Catarina Furtado recebeu com um sorriso a notícia de que há quem veja nela virtudes de santa, mas, apesar de lisonjeada, garante que apenas é apresentadora / actriz / bailarina / jornalista / filantropa / poetisa e não santa. Pelo menos, até 2010, ano em que terá a agenda menos carregada.

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