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Manuela Ferreira Leite: Um coirão também pode fazer oposição
Loures, Dezembro de 1980. Uma noite de tempestade medonha aproveitada pelo ilustríssimo professor Waldemar Riebnick para concretizar a pesquisa de décadas num experimento arriscado e que muitos considerariam fantasioso. Pois o professor Riebnick, português naturalizado e social-democrata desde que o nazismo passara de moda, queria pagar o acolhimento que lhe fora dado pelo país adoptivo com a ressurreição de um político que muitos consideravam capaz de arrancar Portugal ao profundo buraco em que se encontrava há séculos. Convicto de que conseguiria criar uma criatura viva e consciente a partir de pedaços de cadáveres e por acção da electricidade e de processos químicos de sua própria criação, instruiu o seu fiel servo deformado, o repelente Albano, a socorrer-se dos meios necessários para obter peças anatómicas variadas em estado de conservação aceitável e também o que restava da massa cerebral de Francisco Sá Carneiro. Albano tentou obedecer da melhor forma que permitiam as suas capacidades, mas, porque estas não eram muitas, os pedaços de gente que conseguiu não foram da melhor qualidade (ainda assim, permitiram construir um corpo vagamente feminino, que serviria para os efeitos desejados e com a inesperada nuance de poder dar aos portugueses a sua primeira mulher de grande destaque na governação). Também com o cérebro houve um problema. Em vez de recuperar o cérebro de Sá Carneiro, génio político abençoado pela Providência, que um terrível acidente (possivelmente atentado) impediu de aplicar o seu imenso potencial ao serviço do país, Albano recuperou, num momento de confusão, o cérebro de Sá Carneiro, político igual aos outros, com idênticas lacunas e méritos ocasionais, que um terrível atentado (possivelmente acidente) acabou por santificar, tornando-o figura intocável por qualquer crítica. Mesmo com o afastamento do plano inicial, o monstro ganhou vida graças à energia canalizada de um relâmpago e anunciou o seu nascimento com um sonoro e prolongado “AARGH”. Chamaram-lhe Manuela e escolheram os apelidos Ferreira e Leite como metáfora (esperava-se que tivesse o vigor físico de alguém que trabalha o ferro e a pureza e riqueza em cálcio do fluido essencial à vida), libertando-a de imediato na esfera política. Foi-lhe inventado um passado distinto na área financeira e os frutos não tardaram. Impressionado pelo seu talento nas contas, Cavaco Silva decide confiar-lhe a pasta da Educação. Anos mais tarde, Durão Barroso é trancado numa arrecadação escura até aceitar nomeá-la ministra das Finanças. Em 2008, conquista a liderança do PSD, afugentando Passos Coelho e Patinha Antão do combate político ao levantar a saia. Teve mais dificuldades com Santana Lopes (que nunca volta a cara a uma saia levantada), precisando de o pôr na linha de forma mais drástica (enfiando-lhe Marques Mendes onde o sol não brilha). Continua com a esperança de que lhe seja aplicada a lógica “coitada… é tão feia e desengraçada… deve ser muito inteligente e capaz”, mas sem grande sucesso.
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Uma vez um homem bêbedo encontrou uma mulher que achou feia e disse-lhe:
Você é feia.
A mulher respondeu:
E você está bêbedo.
Ao que ele respondeu:
Mas a mim passa e a você não.
Não vás por aí, já provaste que consegues fazer melhor que o bêbedo.