A Libéria trocada por miúdos

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Nome oficial: Republic of Liberia

Capital: Monróvia

Independência: 1847 (dos Estados Unidos)

População: 3.489.072

Área: 111.369 km2

Língua oficial: Inglês

Moeda: Dólar liberiano

Principais produções: Borracha, minério de ferro, madeira, atrocidades, reportagens da CNN

Com a libertação dos escravos americanos, as autoridades dos Estados Unidos começaram a ponderar o seu envio para um território adquirido em África, permitindo o regresso à terra dos seus antepassados e a concretização de uma longa aspiração dos negros escravizados, a de se governarem a si próprios. Além da óbvia preocupação humanitária, enviar os escravos libertos para África permitia ainda tranquilizar os americanos brancos, a quem não agradava por aí além serem forçados a conviver com negros que não pudessem acorrentar a plantações de algodão. O Cabo Mesurado foi a região escolhida para instalar os primeiros colonizadores afro-americanos, depois de adquirido a um chefe local pela quantia justa de vinte mantas de algodão, um balde de lata cheio de missangas e um fragmento de espelho partido, vendo-se os compradores forçados a aumentar a oferta inicial de meio balde de missangas, dez mantas e um punhado de areia da praia após fervorosa negociação. Em Julho de 1847, o território declarou a sua independência da administração americana e o processo de formação da primeira nação livre de antigos escravos ficou concluído. Os liberianos não tardaram a perceber que não tinham grande coisa em comum com os habitantes nativos do território, gente que recusava converter-se ao cristianismo, falar inglês ou vestir calças e camisas. Não vendo outra solução, a elite governativa do novo país afastou o resto da população para os arrabaldes dos seus povoados, construídos à imagem das cidades americanas, e começou a usá-los como mão-de-obra forçada, não se tratando de escravatura porque não recorriam a chicotes e correntes (optando-se pelo emprego mais humano de chibatas e cordas). Além disso, os trabalhadores que desejassem escapar à sua condição poderiam fazê-lo livremente, bastando-lhes apenas preencher um requerimento em triplicado, entregando-o numa repartição convenientemente situada no fundo do mar. De então para cá, a história da Libéria tem sido uma pitoresca sucessão de regimes ditatoriais e conflitos sangrentos, culminando nas eleições presidenciais de 2005, em que os liberianos rejeitaram o antigo astro do futebol George Weah e escolheram Ellen Johnson-Sirleaf, primeira mulher eleita chefe de estado no continente africano e adepta de usar toalhas de mesa como vestuário.

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