Crise eleitoral iraniana: momento de viragem ou tudo na mesma?

cantinflas1Entre os países que não me dizem nada, o Irão é aquele que mais me interessa. E lembro-me bem do momento em que vi nascer este fascínio indiferente. Corria a década de 80 e um pequeno José Cantinflas tomou a iniciativa de fazer um trabalho escolar sobre o conflito entre o Irão e o Iraque, depois de a isso ser obrigado. O projecto era ambicioso na sua extrema simplicidade, mas o autor era um aluno dotado, com uma longa lista de chumbos e necessidades educativas especiais a prová-lo.

O primeiro passo foi confirmar a localização geográfica de cada país, o que me surpreendeu. Tal como esperava, situavam-se lado a lado, provando de forma inequívoca que talvez os países se disponham pelos continentes por ordem alfabética (teoria que aguarda a colaboração do Japão e da Jamaica para entrar em vigor). O segundo passo foi idêntico ao primeiro, mas totalmente diferente. O trabalho foi concluído a tempo e entregue apenas dois dias depois do prazo, merecendo do professor palavras elogiosas entrecortadas com vómito em repuxo.

Porque estou eu a fazer uma introdução tão longa? Será mesmo necessária? Não. Mas é imprescindível que a faça. Porque, no fundo, muitos olharão para a onda de protestos desencadeados pelas eleições presidenciais iranianas e pensarão: “Que me importa isto a mim?” Nada, absolutamente nada. Mas também tudo. Porquê? Línguas de perguntador, como dizia a minha trisavó.

Parece-me que Ahmadinejad é o vencedor justo e os muitos que contestam a sua eleição estão no caminho certo. Mas ninguém negará que Moussavi daria um melhor presidente, apesar dos seus infinitos defeitos. Pessoalmente, se fosse iraniano, votaria em Ahmadinejad. E também em Moussavi. E participaria activamente na contestação de rua e na repressão violenta da mesma. Afinal, tudo se resume a uma questão fundamental alicerçada em elementos superficiais.

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4 Comentários

  1. Está a perder qualidades!
    Então não te candidataste?
    ;)

  2. Agora fiquei baralhada…
    Então o “Irão” não era a tal palavra mal escrita???
    E qual crise? (Ainda não me apercebi de nada, cá para as minhas zonas…)

  3. António Nónimo diz:

    Por aquilo que eu li na bd do Persepolis, as manifestações de massas são uma velha tradição iraniana.

    O Ahmadinejad devia era contratar polícias de choque gregos para controlar as revoltas. Podia ser que funcionasse.

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