O antigo primeiro-ministro português e actual presidente da Comissão Europeia mostra-se tranquilo quanto à recondução no cargo, mas promete o reforço da insignificância que foi a sua imagem de marca no primeiro mandato. Tornou-se hábito na Europa comunitária escolher os presidentes da Comissão Europeia pela discrição e ausência de traços de personalidade passíveis de dificultar o consenso, mas o português conseguiu superar as expectativas nesse campo, não se limitando a ser discreto e dedicando-se com empenho a alcançar uma insignificância como os europeus nunca viram, alimentada por longos anos de insignificância doméstica na política portuguesa, mesmo quando ocupou cargos de relevo no governo. Para um esperado segundo mandato, Durão Barroso promete tornar-se completamente invisível, conseguindo assim o objectivo de manter a cadeira da presidência ocupada por alguém que, não se limitando a não dar nas vistas e a não atrapalhar, permite que se esqueça a sua existência. Recorde-se que o momento alto da prestação de Barroso à frente dos destinos europeus foi a confusão gerada pelos seus nomes múltiplos, quando anunciou que, além de ser conhecido como Durão Barroso (nome que sempre usou em Portugal), também lhe poderiam chamar José Barroso, José Manuel Barroso, Lili de Alverca ou mesmo Piruças. Tamanha predisposição para a insignificância havia já sido provada em diversas ocasiões enquanto primeiro-ministro de Portugal, mas sobretudo quando recebeu nos Açores os líderes americano, espanhol e britânico para uma cimeira estratégica subordinada ao tema do terrorismo imaginário, tentando colar-se a estes nas fotografias, mas sendo implacavelmente cortado de todas as imagens difundidas pela imprensa internacional. Obtida a aprovação da sua nomeação por todos os estados-membros (de forma automática, por nenhum deles ter apresentado objecções no prazo previsto), a reeleição de Durão Barroso apenas será concretizada depois de o seu nome ser votado pelo Parlamento Europeu. No entanto, o resultado favorável da votação é previsível, já que o assunto foi fundido com a aprovação de medidas particularmente austeras de contenção de despesas, colocando-se aos eurodeputados a seguinte questão: “Concorda que as sanitas do Parlamento continuem a ter assento, que os deputados não tenham de trazer papel higiénico de casa e que Durão Barroso seja reconduzido no cargo que actualmente ocupa?”
PS: Não resisto a deixar aqui a soberba variante que o companheiro “Jugoslávio”, esse ilustre açoriano, construiu a partir da fotografia acima. Apresento-vos a Durona.

Pede-me desculpa, não menos ilustre (porém não-açoriano) Renato. Não construí essa imagem. Foi um print screen que fiz. Acontece que o meu ecrã tem a capacidade de transparecer os desejos mais íntimos e sórdidos de cada pessoa.
Fica feito o reparo.
Aí está um político com qualidade suficiente para ficar com o meu voto. Mas espera, não se vota para a Comissão Europa. Espera ainda, qualidade? – Estou confuso.
Será que por baixo daquele fato todo janota, com o custo de três ordenados mensais do Serafim que trabalha na padaria Pãotrigo, ele tem uma tanga leopardo?
Aí está uma questão importante. Penso que nunca saberemos. A não ser que alguém investigue. Voluntários?
Aposto um saco de biscoitos de chocolate que tem.
Oreos ou baratuchos?
Muito bom!
Parabéns pelo re-styling do inepcia.com. Gostei deveras.
Quanto ao artigo do cherne está excelente. À altura do visado. Uma ode à total transparência do sujeito (note-se o sarcasmo)…
Continuação de excelente trabalho!
Obrigado e volta sempre, pá.
Tenho a certeza que há deputados que preferiam trazer o papel higienico de casa
“Piruças” é bem… mas tem alguma inspiração canina e o senhor tem mais ar de peixe das profundezas.
Durão Barroso… graças a este gajo, o Santana Lopes um dia chegou a ser primeiro ministro