Telefobia

Quando me disseram que Herman José tinha um programa novo, não quis acreditar. Afinal, pensei eu, o artista tinha caído em desgraça depois do fracasso colossal da sua última tentativa de fazer comédia televisiva e, pouco depois, foi uma de várias figuras públicas condenadas a pena de prisão efectiva por actos pedófilos na sequência do “processo Casa Pia”,  o processo de conclusão mais célere e de resultados mais significativos na história jurídica portuguesa. Não foi? Pelos vistos, não. E ali estava ele novamente no ecrã, tão louro como o apelido teutónico que ostenta com discrição no seu Bilhete de Identidade.

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Confesso que me causou uma certa pena ver aquilo. Doeu-me ver como alguém podia esforçar-se tanto para ressuscitar trejeitos do passado, repetindo as mesmas frases e os mesmos gestos de um original definitivamente arquivado nas memórias de quem o apreciou. Além disso, o rapaz devia saber que Michael Jackson nunca teve a pele daquele tom de laranja.

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O programa chama-se “Nasci P’ra Cantar” e é uma espécie de “Chuva de Estrelas” com Catarina Furtado na sua fase de moçoila adorável (ainda longe de descobrir as facetas múltiplas de génio renascentista e humanitária reconhecida) substituída por um Serafim Saudade de carapinha aparada e tingida, mas tão ridículo como o original. Só que já não de forma propositada.

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Como não podia deixar de ser, há um júri.  Neste caso,  é composto por uma beldade televisiva e pelo presidente do Clube Português de Sósias de Son Goku.

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Também por lá estava André Sardet, sentado mesmo ao lado, mas não consegui perceber se fazia parte do júri ou se apenas esperava um táxi. O empenho demonstrado e a expressão óbvia de “Que faço eu aqui? Sou superior a isto e tenho discos de mérito duvidoso para gravar!” indicava a segunda possibilidade.

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Seria injusto falar no programa sem referir os participantes. Há muito talento nos participantes. Poucos conseguirão duplicar a subtileza  e profundidade desta jovem, imitando Ana Malhoa a imitar, por sua vez, Amy Winehouse. Brilhante.

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Esta outra concorrente preferiu imitar Susana Félix. Não sei porquê. Talvez nem ela saiba. Ou talvez não seja uma imitação e sim a própria Susana Félix. É impossível dizer ao certo.

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Depois de o apresentador tentar recriar sem sucesso a personagem de Tony Silva, esta rapariga (que também esperava um táxi) decidiu que era demais e, com um sorriso de histeria dolorosa, tentou arrancar os olhos com as unhas para não ver.

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Foi impedida pelo testemunho de Nikita, vedeta da canção pimba e oficialmente cega, que lhe explicou que a falta de visão não tornava o programa menos penoso.  E é difícil não concordar, prezada Nikita.

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7 Comentários

  1. Oi já à algum tempo que não passava por este site! Este homem tem mesmo jeito para escrever isto! É mesmo o tipo de piadas que eu poderia fazer se tivesse mais uns 100 pontos no meu Q.I de 10 :( Continua a postar que é sempre hilariante e grátis ver isto aqui

  2. ahahahahahahahhaha. Este país (mundo) se não fosse trágico era cómico. Mas parece-me que está a ficar demasiado trágico para ser cómigo.
    Só tu para me fazer rir!
    beijinhos

  3. mais-uma-catarina diz:

    Quando pensava que a televisão não podia descer mais baixo, eis que surge o Herman de novo para me surpreender.
    Fantástico!

  4. porra, que cena, pá!
    :(

  5. E acho que com este cabelo o Herman arranjava lá lugar com facilidade portanto nem ele se devia opor.

  6. António Nónimo diz:

    Que isto nos sirva de exemplo a todos:

    Quando estamos lá em cima, podemos um dia vir parar cá abaixo.

    E quão baixo.

    • Gostava tanto de ver o dragon ball z,… Não seria possivel substituir a TVI por a Dragon Ball TV?

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