Novo antiviral português passará a ser distribuído gratuitamente com jornais e revistas

lusofluUm laboratório português acaba de anunciar a descoberta de novo medicamento capaz de combater o vírus H1N1  e que poderá colmatar a escassez esperada do mediático Tamiflu por açambarcamento de doses no Outono. O novo antiviral, baptizado Lusoflu e distribuído em pitorescas embalagens com motivos vermelhos e verdes e decoradas com o brasão das quinas, será oferecido gratuitamente com vários jornais e revistas, numa iniciativa inédita que revela grande espírito humanista e desapego material. O Laboratório Belaflor, fundado em Junho deste ano, funciona na cave da pastelaria de Massamá com o mesmo nome e é dirigido pelo Dr. Eusébio Monteiro, químico autodidacta e bacharel em Gestão de Empresas. Da sua equipa fazem parte outros profissionais de altíssimas qualificações académicas, incluindo um licenciado em Direito (com especialização em Gestão Florestal), uma licenciada em Decoração de Montras, um médico veterinário (faltando-lhe apenas três cadeiras para acabar o curso) e o titular de um diploma de Serralharia com o oitavo melhor aproveitamento do seu curso. Quanto às propriedades do Lusoflu, trata-se de uma fórmula exclusiva e sem qualquer ligação com outros antivirais, concebida a partir de uma mistura das propriedades clínicas de duas plantas tropicais: a Theobroma cacao e a Saccharum Officinarum, combinadas sob a forma de pastilhas mastigáveis de cores variadas (para apelar aos pacientes infantis) e convenientemente assinaladas com a letra M, indicando a sua natureza de “medicamento”. Recusando comentar eventuais semelhanças entre esta composição química e as populares drageias de chocolate com cobertura açucarada M&M’s, o Dr. Eusébio Monteiro preferiu concentrar-se nos efeitos terapêuticos.  A medicação com o Lusoflu não apenas é eficaz na prevenção da doença (para tal é necessário que não se falhe nenhuma das doses diárias entregues com cada jornal ou revista participante na iniciativa) como acaba por curar os pacientes já infectados após um período de tempo que irá de alguns dias a algumas semanas, desde que cada paciente se resguarde e consuma quantidades generosas de caldo de galinha. Como efeitos secundários, adverte-se que a sobredosagem poderá provocar diarreia ou cáries, mas garante-se que o revestimento de cada pastilha é resistente e derrete apenas na boca e nunca nas mãos. Colocado perante a possibilidade de o Lusoflu não passar de um esforço encomendado por alguns órgãos de comunicação social para aumentar as vendas à custa de uma epidemia de gravidade questionável, na sequência do trauma de doenças recentes (gripe das aves, pneumonia atípica, doença das vacas loucas) cujo potencial para aniquilar a humanidade foi amplamente difundido pelos media e acabou por se revelar uma fraude, os responsáveis pelo Laboratório Belaflor responderam apenas que não, apressando-se a mudar de assunto para o clima do dia seguinte e para os reforços da equipa de futebol do Sporting.

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6 Comentários

  1. Epá, vim desolada: o meu jornal de referência, o 24Horas, não está a oferecer o Lusoflu, mas está a oferecer umas medalhinhas da Nossa Senhora de Fátima todas catitas.
    Creio que também deve ser eficaz….

  2. Cátia Soraia diz:

    M também pode ser de mer(mela)da?

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