10 Conselhos para Votar Como Deve Ser

boletim-de-voto_Mais uma volta no divertido carrossel da democracia e eis-nos a ir mais uma vez às urnas. Ainda há um dia pelo meio a que chamam “de reflexão”. Em vez de o aproveitarmos para ir ao supermercado reflectir acerca das qualidades de diferentes marcas de iogurte e do eterno dilema “papel higiénico: folha dupla ou folha simples?”, façamos uma coisa diferente. Vamos meditar a sério nestes 10 pontos e tentar aplicá-los, para que o processo eleitoral decorra com a fluidez esperada e resulte na eleição do parlamento que o país merece e na escolha do primeiro-ministro que nos conduzirá, finalmente, à prosperidade.

1- O primeiro passo é levar os documentos certos. Não é simpático pedir aos responsáveis pela mesa de voto para  procurar o nome de alguém que diz ser fácil de encontrar por se chamar Jaime Rodrigues e que diz ter uma vaga ideia de possuir número de eleitor terminado em 7.

2- É igualmente importante segurar a caneta com firmeza e convicção.

3- O boletim de voto deverá ser dobrado em metades simétricas e com vincos bem marcados. O eleitor aprumado não deixa pontas de fora.

4- Nem sempre é fácil conseguir acertar com a ranhura da urna (dependendo da acuidade visual e do que se tenha bebido ou fumado antes). Mas, com calma, chega-se lá. É um facto pouco conhecido que, de acordo com a legislação eleitoral, um eleitor dispõe de três tentativas para introduzir o boletim na ranhura. Se não conseguir, perde o direito ao voto e este será contado a favor do POUS.

5- Existem três modalidades de voto. O voto num dos partidos terá de ser obrigatoriamente assinalado com uma cruz. Seria desejável que os cidadãos praticantes de outras religiões que não a cristã pudessem fazê-lo com um pequeno crescente ou com uma estrela de David, mas é esta a lei injusta que temos. O voto branco apenas será considerado como tal se o boletim for introduzido na urna sem qualquer inscrição. Só o voto nulo permite variações, mas é inútil tentar ser criativo porque essa criatividade será unicamente apreciada pelos escrutinadores. No entanto, se conhecer pessoalmente um deles, aproveite para lhe mandar um abraço ou para o presentear com uma ilustração obscena.

Em relação à escolha propriamente dita, convém manter presentes os seguintes factores:

6- Não votar em partidos que tenham já provado não conseguir cumprir as promessas que fazem.

7- Não votar em partidos que pareçam mais interessados em chegar ao poder do que em governar o país.

8- Não votar em partidos que advoguem (ainda que o façam de forma sub-reptícia ou parcial) ideologias que tenham deixado de fazer sentido no século em que vivemos.

9- Não votar em partidos que advoguem ideologias enquadradas no século em que vivemos, mas que sejam estúpidas.

10- Não votar em partidos que integrem nas suas listas pessoas que nos provocam azia ou problemas estomacais mais severos.

Já está. Agora é ficar sentado à espera da salvação.

4 Comentários

  1. A política é linda, acabaram por ganhar todos!!!

  2. Eu voto no partido do motoqueiro careca com o colete de cabedal, onde a bandeira de Portugal está (patrioticamente) cozida no peito.

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