Eleições: Sustentáculo da democracia ou profunda chatice?

cantinflas1Sempre fui um democrata desde que passei a sê-lo. Mesmo quando ninguém falava em democracia, já eu lhe louvava os méritos e lhe criticava as falhas. Winston Churchill, um grande estadista, proferiu um dito célebre acerca da democracia, mas não me lembro bem do seu teor. Também não interessa. Quem liga ao que disse um velhote gordo e careca com um charuto sempre preso entre os dentes (uma nojeira)? Eu não.

Porque, quando o assunto é a democracia, há três pontos que têm de ser obrigatoriamente focados e apenas os refiro aqui por que me apetece fazê-lo. O primeiro ponto prende-se com a própria natureza do regime democrático, cabendo aos cidadãos escolher em liberdade plena quem os governará entre os vários candidatos que se apresentam, apenas com um outro condicionalismo imposto. O segundo ponto é o imperativo moral. A democracia é o sistema político que mais se adequa à concepção iluminista de direitos humanos e quem não concordar leva nas orelhas porque o respeitinho é muito bonito e Deus não nos deu boca para andarmos por aí a falar de assuntos que nos ultrapassam.

Votei em todos os actos eleitorais. Menos nuns dez ou onze em que havia Fórmula 1 na televisão ou apenas porque não me apetecia. E tenho sido fiel a uma força política, que me habituei a ver como “o meu partido”. Conta com o meu voto sempre que não encontro outro partido que o mereça mais.

Tudo isto me habilita a comentar um assunto que muita gente (três pessoas) tem referido nos últimos tempos. A questão da suposta asfixia democrática que afectaria o país. Pessoalmente, não acredito que exista. É  bastante provável que esteja enganado, mas vamos por partes. Algum português se queixa de falta de democracia? Não me parece. Algum português não acha que a nossa democracia tem falhas? Um ou outro. Então para quê continuar a bater no ceguinho? Vamos arrumar o assunto na gaveta e tirá-lo apenas quando decidirmos exigir a democracia que nos querem roubar. Foi isso que me trouxe à rua na madrugada de 25 de Abril de 74, segundos depois de queimar o cartão da PIDE num fogareiro.

Também não acho que haja escutas. Mas cala-te boca . As paredes têm ouvidos.

7 Comentários

  1. Democracia é seleccionar quem vai gastar o nosso dinheiro e quem vai mandar em nós nos 4/5 anos que se seguem.

    Anarquia e vinho verde!!!

  2. As paredes e a barra azul lá de cima.

  3. António Nónimo diz:

    Democracia é a autocracia do demónio?

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *