Telefobia

O programa chama-se M/F: Sarilhos em Casa e quem esperava um debate sobre questões relevantes da medicina contemporânea ficará desiludido por saber que se trata de um programa de entretenimento que pretende determinar se existem ou não diferenças entre homens e mulheres. Há muitos anos que a humanidade procura responder a esta questão e a SIC, mais uma vez, presta-nos um grande serviço público. Quem nos vai ajudar a perceber se há motivo para as casas de banho separadas e para a roupa interior exclusiva ou se é tudo mania? Bárbara Guimarães? Muito bem. Pode ser. Afinal, é vedeta da casa e precisa de ganhar o seu. Pagar as contas de livreiros franceses de Manuel Maria Carrilho não deve ser fácil. E quem mais? O ideal era haver também um homem, não? Quem? Eduardo quê?

Ah. Eduardo Madeira. Claro. Porquê? Para fazer Bárbara Guimarães parecer menos deficiente? Sim, se o objectivo era esse, foi uma escolha perfeita.

Salganhada televisiva que se preze não passa sem uma psicóloga residente. Sobretudo para lidar com certo e determinado tipo de fenómenos que exigem experiência clínica.

Fenómenos como este, por exemplo.

O público levanta-se e resolve abandonar o programa, mas, após negociações intensas, são convencidos a ficar pelo menos até à entrada dos casais concorrentes.

O cavalheiro do primeiro casal encanta com o seu carisma, mas tem de abandonar o estúdio pouco depois porque o sorriso interfere com os delicados aparelhos electrónicos  necessários ao fabrico de televisão de qualidade.

O segundo casal vem logo a seguir e o feliz marido explica em entrevista prévia que a sua mulher é “linda, sensual, disponível e sensual”. Tenta mostrar à câmara o número de telefone anotado na mão para “contactos de amizade e algo mais”, mas a polícia antecipa-se e prende-o por proxenetismo. O ambicioso golpe de Toni Navalhas, o rei dos chulos da Madragoa, é gorado.

Chega ainda um terceiro casal e passa-se a uma fase de perguntas pertinentes. O público não fica impressionado.

Seguem-se as inevitáveis e rocambolescas provas de perícia. Há bocejos. Ouvem-se os primeiros protestos. E a resposta prometida à eterna questão das diferenças entre os sexos? O público tem o direito de saber.

Infelizmente, não sei se a questão foi respondida ou não porque, neste momento de grande tensão dramática, lembrei-me que tinha uma coisa mais importante a fazer. E, como não pretendo voltar a ver o programa, suponho que nunca saberei.

17 Comentários

  1. O Madeira quando quer até sabe, mas em formatos televisivos arruina-se. Já se sabe, às vezes é preciso ganhar a vida… €€€€€€

  2. ahahahahahahaha. Já tinha ouvido dizer que isto era uma bosta. Está demais a tua análise. Agradeço que assim poupas-me de ir cuscar.
    Postas de pescada não te posso dar. Acabaram. :)
    beijokas

  3. lololol gostei do teu artigo.. e sinto-me triste porque sou psicologo, de ver representada a minha clase de forma tão infeliz… a patricia pereira nao sei o que la esta a fazer… deve ter texto para falar pois aquilo nao sao interpretaçoes criativas.. é uma miseria.. enfim.. tachos

  4. Vi uma muito pequena parte deste programa onde era suposto os concorrentes chaamrem um cão.
    Ou seja 5 minutos onde vemos um individuo repetir “bobi, bobi, bobi anda cá” e nada mais acontece.
    (não vou fazer um trocadilho entre um cão e o Eduardo, é demasiado óbvio)

    • R. Carreira diz:

      Hoje em dia, qualquer merda serve como entretenimento televisivo. Acho que já nem sequer há uma preocupação a priori com audiências. Põe-se no ar e depois logo se vê. Se não pegar, passa-se para o horário das 10 da manhã.

      • António Nónimo diz:

        Na SIC, à hora do almoço, passa um espectáculo de circo em que a Rita Ferro Rodrigues e um ex-humorista andam a atirar ovos de ouro um ao outro.

        • R. Carreira diz:

          Tenho pena desse ex-humorista. Tinha muito potencial antes de “aparecer na televisão” se tornar o grande objectivo da vida dele.

          • António Nónimo diz:

            Ele agora deve ter outros objectivos. Talvez enfiar ovos na Rita Ferro Rodrigues, por exemplo.

            Se for o caso já vai tarde…

  5. É impressão minha ou olhar fixamente para uma posta de pescada a descongelar tem mais interesse que este programa? Sinceramente eu até acho o Eduardo Madeira interessante, se o compararmos, por exemplo, com um bidão vazio.

    • R. Carreira diz:

      Olha que há bidões muito interessantes.

    • o que falha no programa é a falta de sexo, com tantos participantes lá , dava para fazer uma orgia valente.
      As audiências subiam logo.

  6. Por momentos pensei que a Bába Entretens tinha voltado à TVI.
    Os concursos do Herman ao pé deste até são razoáveis.

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