O primeiro enxovalho aos novos ministros

Mesmo que o XVIII Governo Constitucional  não tenha ainda tomado posse, não podemos descurar as nossas responsabilidades para com quem nos governará durante os próximos quatro anos (remodelações ministeriais à parte). É verdade que, para a maioria dos portugueses, muitos dos novos ministros serão perfeitos desconhecidos, mas não podemos fazer-lhes a maldade de apenas troçar dos seus colegas que transitam do governo anterior. Ficariam tristes e sentir-se-iam desprezados pelo seu povo. E há poucas coisas mais tristes do que um ministro a chorar. Talvez um secretário de Estado a perder os sentidos sobre uma poça do seu próprio vómito depois de uma noite de abusos. Mas é melhor não irmos por aí. Assim sendo, aqui estão eles:

(Nota 1: Não há grande motivo para ilustrar o presente texto com aquela imagem de José Sócrates a cumprimentar o Portugal profundo, mas é demasiado apetitosa para ficar abandonada num site institucional qualquer.)

(Nota 2: O relativo anonimato de alguns ministros leva a que não existam fotografias facilmente acessíveis na internet. Quando tal acontece, usa-se o retrato de alguém com o mesmo nome ou de outra coisa qualquer. Não digo em que casos para a coisa ficar mais divertida.)

Ministro da Defesa: Augusto Santos Silva

Os portugueses já o conhecem de ginjeira, mas noutras pastas. Depois de ser ministro da Educação de António Guterres e ministro dos Assuntos Parlamentares no governo anterior, o seu estilo pessoal caloroso no trato com adversários políticos não resultaria muito bem agora que passou a ser necessário dialogar realmente com eles (não bastando apenas insultá-los de formas criativas). No entanto, se, enquanto ministro da Defesa, Santos Silva usar o mesmo tom para lidar com pessoas que costumam andar armadas, é provável que não dure muito. E não apenas como ministro.

Alcunha: Augusto Santos “Estas Granadas Não Costumam Ter uma Cavilha para Evitar que Expl…PUM” Silva

Ministro da Justiça: Alberto Martins

É difícil não simpatizar com este este peso-pesado do PS pelo seu papel na crise académica de 1969 e pelo descaramento de interromper Américo Tomás e José Hermano Saraiva (o primeiro era o Presidente da República e o segundo ia a passar e acabou por ficar quando lhe disseram que havia café e pastéis à discrição) para pedir a palavra em nome dos estudantes de Coimbra. Mas é muito fácil odiar o ministro que tutela uma das áreas mais caóticas e ineficazes da máquina administrativa.Pode ser que lhe calhe.

Alcunha: Pelo que se disse acima, nada mais violento que “O Barbas”.

Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento: Vieira da Silva

Mais um ministro que transita do anterior executivo e muda de pasta. O seu trabalho como ministro do Trabalho e da Segurança Social deu tão pouco nas vistas que, muitas vezes, os colegas se esqueciam de o convidar para os piqueniques governamentais de sábado à tarde. Houve até uma ocasião em que se esqueceram dele fechado numa sala de reuniões durante dois dias. A sua nomeação para a pasta da Economia quererá dizer que uma economia insignificante precisa de um ministro insignificante? Ou, então, foi só porque dará um bom ministro-fantoche enquanto Teixeira dos Santos continua a puxar os cordelinhos. (O “desenvolvimento” na designação oficial do ministério tem muita graça.)

Alcunha: “O… ai como é que ele se chama? Tem o nome de uma pintora. Sim! O Maluda.”

Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas: António Serrano

A escolha mais hilariante, revelando o sentido de humor muito vivo do primeiro-ministro. Percebem? Agricultura… lavradores… gente rústica… campo… serra… serrano. Pode parecer um pouco rebuscado aos leigos, mas acreditem que é perfeito. Afinal, para alguma coisa passei aqueles meses todos a tirar um curso de Gestão Piadética no Centro de Formação Profissional da Cruz de Pau. Outra coisa com muita piada são os legumes com formas pornográficas. (“Desenvolvimento rural”? Que pândegos.)

Alcunha: O Nabo de Estufa

Ministro das Obras Públicas: António Mendonça

Dizer que o novo titular da pasta das auto-estradas, viadutos e inaugurações é um independente não tem o significado habitual. Ou seja, não se refere ao facto de não ser militante do PS e de já ter militado no PCP. Neste caso, é literal. Desde 1987 que António Mendonça é um estado independente unipessoal reconhecido por 54 países em todo o mundo. Durante o mandato, pretende deixar bem clara a sua independência e reforçá-la através da filiação na ONU e de uma guerra prolongada com o reino africano do Lesoto.

Alcunha: O Elefante Branco.

Ministra do Ambiente: Dulce Pássaro

A senhora chama-se Pássaro. Dulce Pássaro. Acho que não é preciso dizer mais nada. Pior só um ministro da Educação chamado Ramalho ou Lacerda. (Deixará saudades Maria de Lurdes Rodrigues por ter um apelido que não rima com nada.)

Alcunha: É impossível resistir a diminutivos em “inha”. E seria demasiado baixo.

Ministra do Trabalho e da Segurança Social: Helena André

“Helena André” é o pseudónimo de Ramon Lopes, ancião de uma comunidade cigana em que todos beneficiam do rendimento social de inserção, incluindo oito familiares falecidos na primeira metade do século XX. A tentativa de camuflagem é compreensível pela discriminação de que são alvos os ciganos em Portugal, mas louve-se a coragem de nomear para este ministério alguém com interesse genuíno em evitar o colapso da Segurança Social.

Alcunha: Bota-a-baixa.

Ministra da Educação: Isabel Alçada

Golpe de mestre de José Sócrates. Para uma pasta cujos titulares costumam gerar ódios concertados entre alunos, professores e encarregados de educação, nada melhor do que escolher uma figura simpática aos olhos destas três classes pela sua co-autoria da série de livros juvenis “Uma Aventura”. Assim, o ódio ficará adiado e Isabel Alçada apenas verá a sua primeira exibição de um cu em protesto lá para o segundo mês do exercício. Há também o pormenor apetitoso de escolher para secretários de Estado o Pedro, o Chico, o João e a Teresa. O Faial e o Caracol encabeçarão direcções regionais de educação. Da Luísa ninguém sabe nada desde que se meteu na heroína.

Alcunha: Uma Aventura na Falésia

Ministra da Cultura: Gabriela Canavilhas

Pianista, antiga directora de orquestra e responsável pela cultura no governo regional açoriano. Além disso, sabe de cor os títulos da discografia completa de Quim Barreiros. Costuma deixar de fora “Na Tua Casa Tá Entrando Outro Macho”, álbum de 2003, por considerar tratar-se de obra menor.

Alcunha: A MILF.

Ministro dos Assuntos Parlamentares: Jorge Lacão

Basicamente, este histórico socialista foi escolhido para ser atirado às feras da oposição num parlamento sem maioria absoluta. Não se faz isto ao Jorge. Coitadinho.

Alcunha: O Cordeiro Sacrificial.

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23 Comentários

  1. Falta a Lili Cabeçadas

  2. A escolha da ministra da cultura foi feita a dedo. Já tive o prazer de privar com ela, entre um Dó e Sol e reparei que é mulher para agradar ao 1º ministro italiano.

  3. António Nónimo diz:

    Em termos de nomes políticos no-one beats the awesome power of Narana Coissoró

    • R. Carreira diz:

      Tens razão. Que saudades. Devemos a esse senhor a não obrigatoriedade de trazer sempre o BI connosco graças a uma inspirada alusão nudista em pleno apartamento.

  4. Desde pequeno que sempre que oiço o nome de Jorge Lacão, o Dartacão vem-me logo à cabeça.

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