Conversas gravadas entre Sócrates e Armando Vara não têm valor jurídico, mas têm valor artístico

Decorrem com grande fervor os ensaios de “Sócrates e Vara”, adaptação teatral das conversas gravadas entre o primeiro-ministro e um dos arguidos do caso Face Oculta, rejeitadas pela justiça, mas prometendo dar que falar nos palcos. A adaptação das escutas foi feita em tempo recorde para aproveitar o mediatismo do caso e estreará em breve no Teatro Maria Matos, com encenação de João Reis. As duas personagens, Sócrates e Vara, serão interpretadas pelo próprio João Reis (Sócrates) e por Catarina Furtado (Vara), sua esposa, garantindo o encenador que o parentesco não influenciou a escolha e que levou a cabo um criterioso processo de selecção entre os actores que “vivem lá em casa”.

A peça tem sido rodeada por grande expectativa, não tanto pelo conteúdo das conversas gravadas, que é considerado enfadonho (merece destaque apenas o momento em que Sócrates diz: “Compreendo muito bem como te sentes. Também sofri muito quando começaram a dizer que tinha um caso com o Diogo Infante e juro que nunca papei esse fofinho.”), mas pela extrapolação criativa que foi feita. Refira-se, por exemplo, que a conversa decorrerá com as duas personagens deitadas na mesma cama em ambiente intimista. João Reis escuda-se na liberdade criativa para escapar a críticas mais ferozes, garantindo não estar a fazer qualquer insinuação. “Além disso”, explica, “lá por estarem na cama, não quer dizer que haja sexo. Até porque, conhecendo-se a pujança sensual de Sócrates e Vara, corríamos o risco de superar o escândalo da adaptação  teatral das conversas entre Pinto da Costa e o seu advogado, completamente pornográficas com tanta referência a fruta e às hemorróidas de Reinaldo Teles.”

À porta do teatro, a fila para comprar bilhetes é diária e atinge grandes dimensões, o que augura excelentes receitas e a manutenção em cartaz durante anos. No entanto, das 153 pessoas presentes, 42 confessaram à Inépcia que acreditavam estar na fila para a vacina da gripe da televisão e 61 vinham dar o nome para a lista de convidados do casamento de Luciana Abreu e Yannick Djaló, que promete ser, em partes iguais, tribal e bimbo. Recorde-se que, no Verão passado, foi levada à cena em Coimbra uma adaptação de declarações públicas de Pinto Monteiro, procurador-geral da República, mas o desinteresse do público foi de tal ordem que o velho teatro onde decorria o espectáculo foi demolido enquanto o actor interpretava o seu monólogo para uma plateia vazia. O empreiteiro responsável pela demolição referiu não o ter feito por desconhecimento, mas por repúdio pelas palavras de um homem que parece nunca perceber a importância do cargo que detém e falar demasiado e sem pensar. A Inépcia contactou Pinto Monteiro para obter um comentário, mas este não poderá ser publicado por exigir mais de 3 gigabytes de espaço no servidor.

8 Comentários

  1. Eu queria era ver os originais. As adaptações têm demasiados cortes.

  2. Parágrafos, por favor!

  3. António Nónimo diz:

    Se fosse encenado pelo LaFéria tinhamos clássico das artes…

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