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Algo está podre no Reino da Dinamarca e mundo anexo

Coma o seu lixo! (e outras formas de contribuir para a salvação do planeta)

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1-Não, não leu mal. É mesmo isso que diz o título. Um dos maiores flagelos do planeta é a quantidade ciclópica de lixo que produzimos a toda a hora. “Nada se perde, tudo se transforma”, disse Matateu, histórico avançado do Belenenses, e com muita razão. Da próxima vez que lhe parecer adequado deitar alguma coisa no lixo, pense duas vezes. Pense, em primeiro lugar, se não poderá reciclar. Se for impossível, pense se poderá transformar a matéria indesejável num saboroso manjar. Basta usar a imaginação. Suponhamos que tem diante de si uma maçã podre. Está completamente castanha, feia e mole e não resta nada do seu viço de outros tempos. Além disso, cheira mal. Quer livrar-se dela. Mas lembre-se das qualidades que o/a fizeram apaixonar-se quando a viu no supermercado. Pense no que o/a fez escolher essa maçã e não outra. Lembra-se? Não lhe dá pena? E o aspecto é assim tão desagradável? Uma mousse de chocolate não se apresenta igualmente castanha e mole? Um queijo bem curado não tem cheiro igualmente asqueroso? Claro que sim. E, no entanto, são iguarias apetecíveis. Vamos, deixe-se de coisas. Abra a boca, force o paladar e resolva o assunto com duas ou três dentadas bem medidas. A natureza agradece.

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2-Os aparelhos de ar condicionado são também verdadeiros criminosos ambientais. Porquê?  Ora… porque… emitem… coisas. Coisas más. Muito más. Em vez de recorrer à tecnologia para resolver os seus problemas de temperatura, existem estratagemas mais simpáticos que poderá usar. Por exemplo, quando o calor aperta, em vez de rodar o botão do aparelho, procure um sem-abrigo e prometa-lhe uma sandes e meia garrafa de vinho se passar as horas de maior torreira a refrescá-lo com um abano de penas de avestruz (certifique-se de que são penas de imitação ou extraídas a avestruzes justamente executadas por crimes graves). Ficará fresco, estará a contribuir para atenuar o problema da exclusão social e com o bónus apetecível de se sentir um faraó. Se for alérgico a penas (ou a sem-abrigo), experimente andar nu. Não tem que pagar nada a ninguém e poderá criar novas amizades. Se o problema for o frio, porque não tenta incendiar um vizinho ou colega de trabalho? É positivo partilharmos com os outros os nossos esforços ecológicos.

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3-Por falar em incendiar gente, já reparou que o mundo está sobrepovoado? Pois é. Não se deixe enganar pela conversa do envelhecimento da população e da necessidade de começarmos para aí a parir por todos os poros. Já andou de metro em hora de ponta? Já foi a um centro comercial ao domingo à tarde? Aí tem a prova. Hoje, mais do que nunca, com os humanos a parasitarem em massa os recursos do planeta e deixando muito pouco para as outras espécies animais e vegetais, passou a ser justificável e até desejável o homicídio. Não de forma arbitrária, claro. Isso seria desumano. Mas todos conhecemos pessoas que nos fazem pensar que o mundo seria melhor sem elas. Aí tem. Cada chato assassinado vale a felicidade de um gorila. Ou de um manatim. Adopte este lema.

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4-Mas poderá fazer ainda mais pelos animais, nossos amigos. Precisa mesmo de uma divisão em casa para guardar sapatos? De uma sala de jantar quando come sempre na cozinha? De uma biblioteca quando leu dois livros na vida e um era o manual do código da estrada? Dedique esses espaços à ecologia. Encha-os de bambu e receba um panda como inquilino. Peça a colaboração do vizinho de cima, abra um grande alçapão e acolha uma família de girafas. Em alternativa, se os mamíferos lhe provocarem alergias, isole portas e janelas, encha o quarto dos miúdos com água do mar e torne-se hóspede de um recife de coral completo. Lembre-se de retirar previamente os filhos do quarto antes de levar a cabo este processo.

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5-Poderá ter afecto especial pela biblioteca e não querer ocupá-la com um tigre-siberiano. Não há problema. Poderá aplicá-la de outra forma à conservação ambiental. Alguma vez pensou na quantidade de madeira necessária para fazer um rolo de papel higiénico? Normalmente, as situações que envolvem uso de papel higiénico propiciam tempo para pensar e é possível que já tenha dedicado alguns minutos a essa problemática. Olhe bem para a sua estante. Lembra-se daqueles livros da Margarida Rebelo Pinto e do Paulo Coelho que lhe ofereceram com certeza de que iria gostar? Lembra-se de ter comprado o “Equador” porque lhe tinham dito que era muito bom? E aquele romance da Júlia Pinheiro que não sabe de onde veio, suspeitando que foi a própria autora a entrar-lhe pela janela para deixar o presentinho? Da próxima vez que ficar sem papel higiénico, lembre-se das páginas apetitosas de todos esses colossos literários. O papel poderá não ser tão absorvente, mas, de certeza, que lhe saberá muito melhor.

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6 Postas de pescada »

  1. revejo-me na alinea 4, tenho várias divisões da casa , não com bambu mas cheias de teias de aranha com os respectivos inquilinos.

    A Júlia Pinheiro escreveu mesmo um livro?

  2. Aplicação dos 3R by Renato CaRRReira!
    Muito bom!

    • Revolucionar, rodopiar, resplandecer?

      • Pensava que os 3R fossem outra coisa, mas cá está a Inépcia para me ensinar todos os dias.
        Obrigada!
        Resplandecer parece-me, contudo, excessivo…
        Que tal regurgitar?
        (está lá a máxima do Matateu)

        • Ah! Quase que me esquecia!
          Tenho uma pós-graduação em Lixo Doméstico: aquele que aparece ali em cima é de Nápoles.
          Sabes, muito estudo, muito estudo…
          ;)

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