O Iémene trocado por miúdos

Nome oficial: الجمهورية اليمنية

Capital: San’a

Independência: Iémene do Norte (1918), Iémene do Sul (1967), Unificação (1990)

População: 23.580.000

Área: 527.968 km2

Língua oficial: Árabe

Moeda: Rial iemenita

Principais produções: Petróleo, facas de lâmina curva, areia, corrupção, cassetes VHS

No território actual do Iémene, existiu, na antiguidade, o mítico Reino de Sabá, de onde partiu uma rainha que encantou o rei Salomão pelas habilidades que conseguia fazer com uma parte de si que não vem referida no Antigo Testamento. Esta é, pelo menos, a opinião de um número considerável de arqueólogos e historiadores. Outros garantem que esta teoria carece de fundamento e que, em vez do Reino de Sabá, o que existiu realmente no sudoeste da Península Arábica foi uma barraca de bifanas e cerveja para  os mercadores cansados que acabavam de atravessar o deserto com as suas caravanas de especiarias. Os romanos chamaram ao território “Arabia Felix” (“Arábia Feliz” ou, numa tradução mais criativa, “Arábia Brincalhona”), talvez porque, juntamente com as especiarias que tornavam a região rica, também se negociava em substâncias que faziam rir muito. O imperador Augusto tentou a conquista, mas escapou-lhe a mão (por ter estado a comer petingas em azeite, ficando com os dedos escorregadios) e acabou por ocupar a Dalmácia sem querer. O islão chegou por volta do ano 630 e o Iémene foi governado por uma sucessão de dinastias muçulmanas durante os séculos que se seguiram. Uma das primeiras medidas dos novos governantes terá sido o encerramento da hipotética barraca de bifanas e cerveja porque, como é sabido, Maomé era avesso a carne de porco e a cereal fermentado. Ainda se tentou converter a barraca à venda de sementes de girassol e cópias de bolso do Corão, mas a clientela esmoreceu.

No século XIX, os ingleses estabeleceram-se na área, capturando o porto de Adem e aliciando os governantes dos territórios em redor, pela distribuição de caramelos em grandes quantidades, a aceitarem a formação de um protectorado. A área a norte deste protectorado tornou-se independente com o fim do Império Otomano e passou a ser governada como Reino Mutawakilita do Iémene pela dinastia al-Qasimi. Em 1962, o rei Muhammad al-Badr agacha-se para sacudir o pó dos chinelos e um grupo de revolucionários aproveita o ensejo para o depor, proclamando a República Árabe do Iémene. Em 1967, os ingleses fartam-se de brincar com o seu protectorado e retiram do território, permitindo a formação da República Popular Democrática do Iémene, ou Iémene do Sul. Além do Iémene do Norte e do Iémene do Sul, existiram também um Iémene Oriental e um Iémene Ocidental. O primeiro foi anexado pelo Iémene  do Sul depois de uma invulgar chuvada que dissolveu por completo as infra-estruturas do país (provando que o sabão não é um material de construção fiável). O segundo desapareceu para parte incerta, havendo quem acredite que migrou para a América Central e se transformou no Belize. Inicialmente, os dois Iémenes mantiveram relações cordiais e os seus líderes não tardaram em acordar uma unificação algures no futuro. Mas só após os naturais de ambos os estados passarem uns anos a trocar caretas de lados opostos da fronteira.

Em 1990, os dois países uniram-se numa República do Iémene, inspirando outros territórios a fazer o mesmo (a RFA e a RDA, Queluz de Baixo e Queluz de Cima etc). Conquistada a unificação, os iemenitas decidiram celebrar com uma fraternal guerra civil em 1994, depois de 4 anos a escolher o terreno por moeda ao ar (a moeda era sempre lançada com demasiada força em dias de muito vento e perdia-se de vista). Recentemente, entre conflitos internos contra grupos rebeldes armados, o Iémene venceu o concurso internacional para substituição do Iraque como centro nevrálgico do Eixo do Mal, superiorizando-se ao Sudão, porque não fica bem na CNN bombardear crianças famintas (nem com visão nocturna), e às Comores, porque o júri americano não acreditou que fossem um país a sério. Animado por esta vitória, o presidente Ali Abdullah Saleh pretende aprender com o passado recente e, para evitar os dissabores de Saddam Hussein, seu antigo homólogo iraquiano, anunciou que rapará em breve o bigode para evitar semelhanças e mandará destruir todos os metros de corda que existam no país.

6 Comentários

  1. Carlos Silvino diz:

    Então o Iémene era o Canal Caveira da Rota da Seda?

  2. O Ruy de Carvalho tambem fica bem em qualquer papel, mesmo que seja de mulçumano

  3. António Nónimo diz:

    A história desta gloriosa nação dava para fazer uma bela série de televisão sobre guerras civis. Tinha era que se arranjar alguém da craveira do Patrick Swayze e do David Carradine.

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *