Um Salazar em cada esquina poderá ser alternativa ao PEC na resolução dos problemas do país

O PEC (sigla que significa qualquer coisa como Pináculo de Epicurismo e Cognoscência) pode ter sido aprovado, mas, enquanto os portugueses ainda se habituam a fingir que o compreendem e têm opinião sobre o assunto, os governantes e especialistas perceberam já que não será a solução para desatolar Portugal do profundo lamaçal em que se encontra. Uma solução melhor poderá ser proporcionada pela genética política (novo ramo do conhecimento formado meses depois de genética e política decidirem ir para os copos como amigas e acordarem nuas na mesma cama e com  profundo embaraço), sendo possível, pela primeira vez, concretizar uma ambição antiga do país, tantas vezes apontada como remédio para todos os males que o afligem: pôr um Salazar em cada esquina para “isto” (designação afectuosa para Portugal) ir ao sítio.

A medida foi encontrada por especialistas em genética política dentro de um ovo de chocolate, juntamente com um pequeno brinquedo para  montar, e prontamente sugerida ao governo (não se conhece ainda o simbolismo do brinquedo: uma avestruz de plástico com um canhão de raios laser no dorso). Posteriormente, responsáveis governativos encarregaram-se de a partilhar com líderes dos partidos com representação parlamentar e chegou-se a acordo, já que, como é sabido, os políticos portugueses nunca hesitam em colocar os supremos interesses da Nação acima de mesquinhos interesses pessoais e partidários. É provável que se tenha sugerido aos representantes do PCP e do Bloco de Esquerda que o Salazar em questão era o utensílio de cozinha com o mesmo nome, mas não há confirmações.

Para reconstruir o ditador português, combinar-se-ão características dos líderes dos partidos mais relevantes, verificando-se que, por incrível coincidência, a fusão de traços dos líderes políticos do presente produz uma cópia perfeita do homem que liderou o Estado Novo até ao seu infeliz acidente com uma cadeira (a cadeira ia desatenta quando Salazar atravessava a rua à papo-seco e atropelou o presidente do conselho). A comunidade científica ainda não encontrou uma explicação, mas promete redobrar o consumo de ovos de chocolate até descobrir.

Assim, José Sócrates contribuirá com a capacidade de mascarar a incompetência para resolver problemas com projectos de grande alarido, Pedro Passos Coelho com o talento para ser visto como salvador da pátria antes de fazer qualquer coisa que o justifique, Paulo Portas com o seu apego ao que temos de mais nosso, Jerónimo de Sousa com a sua ruralidade intrínseca e Francisco Louçã com a sua faceta insuportável de pé-de-salsa. Como matéria aglutinadora, serão usados os excessos salivares de Cavaco Silva (que também fornecerá a roupa interior e o calçado do seu guarda-roupa pessoal) e o resultado será injectado no útero de uma mulher completamente imune a convicções políticas sérias: Zita Seabra.

Conhecendo-se a inconstância da antiga militante do PCP e posterior devota da social-democracia, será possível que deite tudo a perder por um desejo súbito de mudar de sexo, com consequente perda da capacidade reprodutiva, mas será dissuadida de se tornar um homem pela amostragem repetida de fotografias de Paulo Rangel em traje de banho.

Depois desta conversão de Zita Seabra em “máquina de parir salazares”, os clones do ditador serão distribuídos por todas as esquinas do país e aí se dedicarão à função predestinada de “pôr as coisas nos eixos”. Em relação aos espaços arredondandos desprovidos de esquinas, ainda não se decidiu se será preferível colocar um círculo de salazares ao centro, olhando em todas as direcções num efeito panóptico ou se bastará guarnecer cada entrada e saída com um dos dilectos filhos de Santa Comba.

2 Comentários

  1. Abaixo os graffiti!!!

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