Adversários de Portugal no Mundial 2010 – Uma refeição em três pratos

Primeiro prato: Costa do Marfim

Os “Elefantes” chegam à África do Sul com ambição paquidérmica e ganas de enviar os adversários para casa de trombas, sem esquecer a desilusão do Mundial anterior (porque um elefante nunca esquece). Quando não estão a dar azo a metáforas elefantinas, os marfinenses apostam num futebol ofensivo e alicerçado em jogadores criativos, capazes de truques que não envergonhariam o saudoso elefante do Jardim Zoológico de Lisboa que tocava o sino e soprava uma corneta quando lhe atiravam moedas. Didier Drogba, a estrela da companhia, fracturou o cúbito direito e os fãs receiam que a lesão o possa afastar do Mundial, mas há um pormenor importante que urge referir. O cúbito é um osso do braço. Um ponta-de-lança como Drogba não precisa dos braços para nada (há outros nove jogadores de campos dispostos a fazer os arremessos de linha lateral) e um gesso pintado de laranja e verde combinaria na perfeição com o garrido equipamento da equipa.

Treinador:

Sven-Göran Eriksson (A tentar ganhar a Portugal na fase final de uma competição pela primeira vez, após duas tentativas traumáticas. Força Sven! )

Estrelas:

Didier Drogba

Yaya Touré

Boubacar Dumbolelé

Segundo prato: Coreia do Norte

Pela segunda vez num Mundial e pela segunda vez com Portugal pela frente, os norte-coreanos procurarão aplicar as lições aprendidas nos quartos-de-final do Inglaterra 66. Lição 1: Marcar três golos nos primeiros vinte e cinco minutos é bom. Lição 2: Sofrer cinco durante o resto do jogo é menos bom. Continuando tão desconhecidos agora como eram aquando da sua estreia, há mais de quatro décadas, o efeito-surpresa será a principal arma da única selecção a representar os méritos do desporto proletário entre equipas de fedorentos capitalistas. Outro ponto a favor dos norte-coreanos é a motivação. Os jogadores portugueses podem querer ganhar e mostrar ao país e ao mundo que são melhores do que muitos dizem, mas não conseguirão igualar a motivação de colegas que se arriscam a passar o resto da vida a trabalhar em minas de sal se não fizerem boa figura. Porque uma coisa é fazer “peladinhas” contra equipas amadoras e outra, muito diferente, é treinar com soldados armados de Kalashnikov a rodear o campo. Recomenda-se instalação no banco de Eusébio (autor de quatro golos no Portugal – Coreia do Norte de 66) para apelar ao trauma.

Treinador:

Kim Jong-Hun (Vencedor do Troféu Penteados Visionários de Pyongyang, edição de 2008)

Estrelas:

Hong Yong-Jo

Jong Tae-Se

Kim Il-Sung (Apesar de não ter sido inscrito, de não se lhe conhecerem dotes futebolísticos e de ter morrido em 1994, nada impedirá o “grande líder” norte-coreano – que continua a ser o chefe de estado do país como “presidente eterno” – de dar uma ajudinha se as coisas derem para o torto.)

Sobremesa: Brasil

Os adversários mais fortes no grupo de Portugal e os principais candidatos ao primeiro lugar da qualificação, os brasileiros respondem com um rotundo “NÃO!” à pergunta: “Não chegam cinco títulos mundiais e o feito único de participar em todas as edições da prova?” Novamente candidatos à vitória final (como sempre), cabe desta vez a Dunga, capitão da selecção campeã do mundo em 94 e antiga estrela de desenhos animados da Disney, a tarefa de organizar a habitual pilha de talento canarinho e corresponder às esperanças de um país que guarda para o último jogo da primeira fase um arsenal majestoso de piadas fora de prazo (protagonizadas por Joaquins e Marias) apontado a uma equipa das quinas tragicamente órfã dos gloriosos e estereotípicos bigodes da década de 80.

Treinador:

Dunga

Estrelas:

Júlio César

Luís Fabiano

Kaká

5 Comentários

  1. Afonso Henriques diz:

    Oi ????

  2. Julgava que as estrelas do Brasil era o Deco, Liedson e Pepe

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