Moções de censura poderão ser substituídas por gigantesco letreiro de “FAIL”

Ver um pedido de casamento recusado diante de um estádio cheio, aparecer num funeral vestido de papagaio, forçar octogenários analfabetos a obter documentação essencial na internet serão três manifestações paradigmáticas do conceito de “FAIL”, muito popular entre a pequenada e condensando em apenas quatro letras todo o pathos de cometer uma asneira de tal forma monumental que o embaraço não é passível de explicação.

Esta marca de contemporaneidade poderá substituir em breve a figura parlamentar da moção de censura, que muitos consideram possuir conotação exageradamente negativa e reveladora de discordâncias entre os partidos que serão inaceitáveis numa democracia moderna.

A ideia partiu de um cidadão anónimo que passou certo dia pelo Corredor dos Passos Perdidos, abordando vários deputados em pausa para café (de várias tendências políticas e incluindo alguns sem tendência mas com grande boa vontade) e louvando as virtudes do novo sistema enquanto esfregava o cocuruto e o ventre com as mãos, descrevendo círculos hipnóticos. Várias testemunhas referem tê-lo visto a tentar praticar a cunilíngua com um busto da República antes de desaparecer tão misteriosamente como surgiu, mas é possível que se trate apenas de delírio de mentes depravadas.

Se a sugestão for aprovada, será instalado sobre o hemiciclo um grande letreiro em néon com a palavra “FAIL”, accionado por botões distribuídos pelas várias bancadas obrigatoriamente pressionados apenas pelos líderes parlamentares que, para esse efeito, deverão vestir-se de querubim barroco.

Entre os apoiantes de peso da ideia, incluem-se Francisco Louçã (que se escusou a explicar porquê por estar muito ocupado a ultimar o carro alegórico subordinado ao mote “a parvoíce” que o Bloco de Esquerda fará desfilar no Carnaval de Torres Vedras) e o líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, que apenas não oficializa o apoio do partido por ainda não ter pesado devidamente o gosto de ver José Sócrates sucumbir ao “FAIL” e o pesar de se ver a si próprio como alvo do implacável letreiro.

Mas nem tudo é consenso. O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, segunda figura da Nação e vice-campeão nacional de ingestão compulsiva de rodelas de farinheira (época de 1987-88) não vê com bons olhos nem o letreiro de “FAIL” nem alternativas igualmente indignas, tais como grandes marretas de desenhos animados ou esguichos de leite-creme sobre ministros que se portem mal. “É um atentado à seriedade das instituições democráticas”, afirma, conseguindo manter-se sisudo mesmo usando chapéu com a forma de um divertido cocó.

2 Comentários

  1. António Nónimo diz:

    Lamento, não resisti

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