Grupos de cidadãos mobilizam-se para protestar contra não sei quê

Em todo o país, os portugueses reúnem-se em praças, alamedas e rotundas para manifestar o seu descontentamento com não sei quê. É um facto inegável que o número dos descontentes tem aumentado nos últimos anos e os estudos mais recentes permitem verificar que x em cada y portugueses consideram que a sua vida não é perfeita e que há motivos para protestar contra algo que não está completamente bem e que poderia estar melhor, sem medo de apontar o dedo aos responsáveis: fulano, sicrano e, seguramente, José Sócrates.

O descontentamento generalizado daquela a que já chamam “geração isto assim não pode ser porque, prontos, uma pessoa estuda e depois coisa e tal” tem motivado acções contestatárias variadas por todo o país, assumindo contornos assaz criativos. Em Vila Nova do Monte, um grupo de recém-licenciados sem perspectivas de futuro reuniu-se diante do monumento aos apanhadores de caracóis (gesto que alguns consideram simbólico e outros subversivo e potenciador de anarquias), vestindo peças de roupa de cor azul e mantendo-se em silêncio completo até: a) verem as suas reivindicações atendidas por quem de direito; b) acordarem quais são as suas reivindicações; ou c) terem qualquer coisa melhor para fazer.

No extremo oposto do país, em Santa Maria do Vale, algumas dezenas de descontentes com a precariedade ocuparam todos os lugares livres de uma esplanada no Largo Famélicos da Terra, comportando-se como se nada de especial se passasse e bebendo cafés e galões. A organização do protesto não nega a possibilidade de evoluírem em breve para a ingestão de pastelaria variada (de fabrico próprio) se tudo se mantiver na mesma. Não se confirma oficialmente que os bolos possam ser pagos apenas contra emissão de recibos de cor verde.

A comparação com os protestos que têm varrido o Magrebe e o Médio Oriente são inevitáveis, havendo quem ache que “talvez sim, talvez não” e quem tenha opinião diametralmente oposta. O elemento em comum será a utilização do Facebook e do Twitter para convocar estas acções, ainda que um protesto recente contra “aquilo” em Vila Pouca da Desertificação tenha sido organizado por intermédio de post-its colados na secção gourmet de um conhecido supermercado (entre as alcaparras e a flor de sal).

Em notícia não relacionada, a RTP prepara-se para enviar ao Festival da Eurovisão o cantor António Calvário com uma versão ligeiramente mais activista da sua “Oração”.

4 Comentários

  1. Zandingas diz:

    Se alguém está à rasca, a casa de banho é ao fundo, à esquerda.

  2. António Nónimo diz:

    António Nónimo enviou um pedido de amizade a Muammar Muhammad al-Gaddafi

  3. António Nónimo diz:

    António Nónimo protesta isto.

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