Canção portuguesa na Eurovisão tem letra de Oliveira Salazar

A participação nacional no Festival da Eurovisão deste ano continua envolta em polémica. Primeiro, foi o choque pela vitória de uma canção contestatária interpretada por uma dupla humorística (algo que já atentava contra a seriedade da instituição festivaleira quando dezanove países fizeram anteriormente o mesmo). Depois, a trágica e inesperada eliminação orquestrada por forças sinistras (possivelmente a CIA e a Al-Qaeda trabalhando em conjunto). Agora, vem a público que a letra da canção “Luta É Alegria” não é original da dupla Homens da Luta, tendo autoria ainda mais sinistra.

A denúncia foi feita pelo musicólogo Jordão Torremolinos, grande conhecedor da música editada durante o Estado Novo, que reconheceu “Luta é Alegria” como uma versão acelerada de “A Marcha do Povo que Avança”, tema obscuro editado em 1967 pelo baladeiro Idalécio Antunes, um cantor que o professor Torremolinos considera ser o alter-ego de um Salazar idoso e cada vez mais preocupado com a popularidade da música subversiva.

“Comecei a suspeitar quando verifiquei que os únicos concertos dados pelo artista, num período curto depois da gravação do seu único disco, o LP ‘Sei Muito Bem O que Canto e Para Onde Entoo’, foram em sedes da Legião e da Mocidade Portuguesa e que faltou a todos, alegando sempre estar indisposto, o que não impediu a imprensa especializada de tecer profundos louvores ao seu desempenho em palco”, explica. “Claro que a voz também ajudou. Idalécio e Salazar tinham exactamente a mesma voz e não há muita gente que tenha aquele timbre a que, na musicologia, costumamos chamar: vozinha de traque abafado.”

Depois da primeira suspeita, o ilustre académico obteve a comprovação da sua teoria junto de fontes ligadas ao processo de gravação do disco. De início, houve algum receio, mas, constatando que as restantes melodias versavam todas sobre finanças (com excepção de “Trova a Uma Maria que me Dá Banhos de Esponja”), tornou-se claro que era inútil insistir no logro.

Perante a aceitação crescente de cantores subversivos como José Afonso, Salazar terá tentado criar música de intervenção que mantivesse uma aparência de oposição ao regime, sendo, em simultâneo, controlável pela propaganda da ditadura. Não confiando em mais ninguém para testar a aceitação de tal esforço, terá ressuscitado uma ambição antiga, sabendo-se hoje que era um cançonetista conceituado no meio académico coimbrão da sua juventude, animando muitos serões de terço acompanhado ao berimbau pelo amigo António Cerejeira (futuro cardeal).

A inÉpcia contactou os Homens da Luta na clínica onde fazem uma cura de choro e expôs a descoberta ao líder, Jelivaldo Ranço Teté (conhecido como Jel), que negou categoricamente qualquer ligação entre a letra da canção e o ditador. “Admito que adaptámos a letra de um caderno descoberto no sótão da família e que pertenceu ao nosso bisavô, mas os autores morais somos nós, eu e o meu irmão-marido (Jelivaldo e Vasco Ranço Teté casaram em 2008 um com o outro e também com o seu cão rafeiro, o Tareco, no Belize, único país onde são legais em simultâneo os casamentos homossexuais, o incesto e a zoofilia).

Quando lhe foi pedido o nome e uma descrição do bisavô referido, Jelivaldo referiu que se chamava António e que era um beirão seco de carnes e com voz aguda. Em seguida, após uma ligeira pausa, exclamou “valha-me São Pablo Escobar… não pode ser… por favor…” e irrompeu em lágrimas.

3 Comentários

  1. E eu convencido que tinha sido o Louçã

    • R. Carreira diz:

      A vida prega-nos partidas.

    • António Nónimo diz:

      Não… esse compôs foi o Die Fahne Hoch. Mas, na altura ainda usava o nome artístico de Horst Wessel – “o génio do oboé da Vestefália”.

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