Passos Coelho supera ataque de remorsos com sucesso

O primeiro-ministro acordou ontem com grande incómodo, queixando-se de tonturas e palpitações, o que motivou a chamada imediata de um médico ao seu solar em Massamá. Após exame rápido, o clínico concluiu que o mal-estar se devia a peso na consciência, condição que, apesar de desagradável, é também passageira e não costuma deixar marcas duradouras. A princípio, pensou-se que seria resultado de stress profissional acumulado desde que Passos Coelho passou a seguir à risca a cópia da agenda pessoal de Angela Merkel que a chanceler alemã lhe entregou como contributo para a recuperação do país, mas essa possibilidade acabou por ser descartada. Apesar de ter passado a levantar-se às seis da manhã, trabalhando sem parar até às onze da noite, com pausas para refeições ligeiras de salpicão, chucrute e cerveja (saltando unicamente, por motivos óbvios, as horas ocupadas a torturar pequenos países periféricos), não terá sido esta imitação do ritmo de trabalho frenético da sua congénere alemã a provocar o achaque. Os remorsos mantiveram-se durante boa parte do dia e só terminaram durante o encontro com um representante da troika, momento em que, com as calças pelos tornozelos e debruçado sobre a mesa, o incómodo foi superado pela satisfação do dever cumprido.

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