Nobel da Paz para a União Europeia faz Margarida Rebelo Pinto sonhar com o da Literatura

As reações à distinção da União Europeia com o Nobel da Paz pelo seu contributo para a pacificação do continente e para a promoção da democracia e dos direitos humanos têm oscilado entre o riso trocista e o nojo declarado, mas, mesmo assim, há quem encare a opção do parlamento norueguês com naturalidade e esperança. É o caso da escritora Margarida Rebelo Pinto, que interpreta a escolha da União Europeia, uma organização que fez tanto pela pacificação da Europa e pela defesa dos direitos humanos e da democracia nas suas primeiras décadas, como pelo despertar de animosidades ancestrais entre estados, pelo estrangulamento de direitos e liberdades adquiridos e pela supressão do processo democrático nos últimos anos, como um sinal claro de que os parâmetros dos comités Nobel estão a mudar.

“Na literatura, por exemplo”, refere a autora, “poderemos passar finalmente de uma lista interminável de pessoas aborrecidas que escreveram livros grossos e chatos para uma nova era em que o mérito literário de histórias de amor conturbado entre os Bernardos e as Marianas do mundo será finalmente reconhecido.” A convicção não lhe é exclusiva. António Lobo Antunes, eterno candidato ao Nobel da Literatura e autor comprovado de livros “grossos e chatos”, partilha a mesma opinião e já anunciou que, a pensar no Nobel, o seu próximo romance será uma crónica do triângulo amoroso entre um jovem tenente do exército português durante a Guerra Colonial, uma militante fervorosa do MPLA e uma espécie de antílope exclusiva da fauna angolana. O título já está escolhido (“Este Pedaço de Carniça Anónima que Uma Mina Lança para o Céu Transporta a Marca dos Meus Beijos”) e o autor espera que “seja desta”.

A lista de laureados portugueses poderá crescer ainda mais, existindo rumores de que a atriz Rita Pereira é uma das candidatas ao Nobel da Física do próximo ano depois de publicar no seu facebook que “isto de as coisas caírem ao chão quando as largamos é capaz de não ser coincidência”.

Um comentário

  1. o título do livro do Lobo Antunes está brutal. Mete a um canto o Que Cavalos São Estes que Fazem Cocó no Mar. Cocó ou outra porcaria qualquer.

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