Autoridades recomendam suicídio para assegurar sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde

Depois de o secretário de Estado da Saúde ter referido a prevenção da doença como dever de todos os cidadãos para evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde e de, mais recentemente, a Direção-Geral de Saúde ter divulgado uma lista de alimentos saudáveis, a falta de saúde dos portugueses e seu efeito na manutenção de um SNS sustentável continua a ser uma das maiores preocupações das autoridades responsáveis. Desta vez, foi Joaquim Lobato Amazonas, diretor do Departamento de Vitrinismo da DGS (organismo que, segundo apurámos, é crucial para um funcionamento eficaz da instituição) a sugerir o suicídio como solução viável para reduzir o número de utentes que recorrem aos serviços públicos de saúde, contribuindo para um desperdício de fundos inaceitável no período conturbado que atravessamos.

“Não basta apelar aos hábitos de vida saudáveis porque, como é sabido, há pessoas que nunca fumaram e desenvolvem doenças pulmonares graves e atletas profissionais que morrem de complicações cardíacas”, refere Lobato Amazonas. “Precisamos de ampliar os padrões de inclusão em grupos de risco.” E o maior grupo de risco parece estar encontrado. “De acordo com os dados obtidos pela DGS, 97.9% dos utentes que acorreram a hospitais e centros de saúde nos últimos dez anos estavam vivos e podemos afirmar com certeza considerável que respirar, ter batimento cardíaco e atividade cerebral são fatores que tornam o organismo mais suscetível à doença.”

Assim, as autoridades de saúde preparam um programa nacional de consciencialização para as vantagens do suicídio, fornecendo informação extensa aos interessados acerca das formas mais cómodas de pôr termo à vida. Será sugerido, por exemplo, que se opte por métodos menos dispendiosos como o salto de pontes, janelas e viadutos, o afogamento e o enforcamento em detrimento de envenenamentos, eletrocuções, inalação de gás ou saltos para a linha férrea (este último método sendo particularmente desaconselhado por poder prejudicar ainda mais a circulação ferroviária já melindrada pelas greves frequentes).

Se, mesmo assim, a opção for pelo envenenamento, recomenda-se que não sejam utilizados venenos caros como o cianeto ou a estricnina, já que qualquer raticida de marca branca produzirá os mesmos efeitos na dose adequada. Para quem optar pelo salto, uma opção particularmente conscienciosa será o salto de viadutos situados em autoestradas com portagem porque, além do benefício para o SNS, haverá também entrada de receita para estímulo da economia. Todos os saltadores serão recomendados a envolverem-se previamente em plástico para reduzir os custos das operações de limpeza.

Relativamente à possibilidade de este apelo ao suicídio poder motivar uma liberalização de outros “cídios” (como o homicídio, o parricídio ou o genocídio), fonte do Ministério da Saúde remeteu a decisão para quando estiver concluída a venda no Ebay das vacinas, máscaras e gel desinfetante comprados à tonelada aquando da última epidemia de gripe imaginária.

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