Portugal regressa aos mercados mas para vender Revista Cais

Começa finalmente a avistar-se luz ao fundo do longo e penoso túnel da penúria económica portuguesa com o regresso do país aos mercados assumindo-se como primeiro passo no caminho para uma retoma a longo prazo. Mas será sempre possível que a referida luz seja apenas o farolete de um comboio aproximando-se a grande velocidade, já que Portugal regressou aos mercados sim, mas para tentar fazer uns trocos com a venda da Revista Cais e não para participar em operações financeiras de calibre mais elevado. A Cais foi criada para permitir uma fonte de rendimento a sem-abrigo e a cidadãos em situação económica fragilizada e o perfil atual do país integrar-se-á perfeitamente nestas categorias.

Ainda os mercados não tinham aberto e Portugal já se encontrava à porta com o seu molho de revistas (uma edição especial contendo fotografias de membros do governo em biquíni para maximizar o interesse) enquanto, no interior, a Alemanha compunha a sua banca de hortaliça e carros de luxo e a China desempacotava o vestuário de marca Lakoste e Adibas. A procura foi significativa, sendo muitos os interessados em ajudar o nosso país com a compra da revista, pagando os 2 euros do preço de capa e esperando troco de 372% com prazo entre dois e cinco anos. Menos sorte teve a Grécia que, ali perto, apregoava sem sucesso pensos rápidos e cotonetes perante indiferença generalizada, mesmo segurando o Peloponeso ao colo e trazendo as Cíclades pela mão.

A confirmar-se este regresso positivo aos mercados, estima-se que, em breve, Portugal consiga amealhar dinheiro suficiente para dez milhões e meio de sopas, sobrando qualquer coisa para comprar algumas centenas de milhar de pacotes de vinho Casal da Eira que terão de ser obrigatoriamente partilhados.

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *