Com a privatização dos esgotos, economia portuguesa passa a cheirar mal por motivo válido

Depois de aprovada a privatização da gestão de resíduos urbanos (não tendo sido a primeira ocasião em que se discutiu lixo e matéria fecal na Assembleia da República), o governo apresenta agora os moldes da concessão a privados da gestão dos nossos cocós e xixis. A ministra da Agricultura, Mar, Ambiente, Ordenamento do Território e Coisas que Tresandam, Assunção Cristas, explicou que, no que concerne aos esgotos, todas as sanitas e autoclismos do país serão automaticamente nacionalizados, instalando-se aparelhos de medição para controlar o uso abusivo e evitar o desperdício nas descargas evacuatórias.

Estes aparelhos (decorados com retrato oficial do Presidente da República e que, até escolha de nome definitivo, serão provisoriamente referidos como “caguímetros”) deverão ser ativados pelo utente e permitirão a utilização da sanita (doravante designada como “Sistema Analógico Nacional de Inversão das Transferências Autoeliminatórias” ou SANITA) por um período de cinco minutos contados a partir da ativação. Findo esse período, o sistema de canalização central enviará um espigão metálico afiado para a SANITA em questão, que afastará o utente para uma distância segura antes de iniciar o processo de descarga.

Quem necessitar de mais tempo, poderá adquirir pacotes de minutos sem se levantar, bastando introduzir moedas ou notas na ranhura do “caguímetro” ou efetuar pagamento com cartão bancário. Outra modalidade em estudo para utilizadores intensivos será a instalação sob a pele das áreas expostas de um chip reconhecido por aparelho semelhante ao da Via Verde, mas devidamente impermeabilizado.

Todas as matérias depositadas na SANITA passarão a pertencer à entidade concessionária do saneamento e serão usadas no fabrico de bens essenciais como adubos, combustíveis e banqueiros (com maior ou menor tratamento).

Para terminar o comunicado ao país, a ministra apresentou o seu novo secretário de Estado dos Projéteis Arremessados Contra Ministras Grávidas, Álvaro Alves Namuche, a quem deverão ser endereçados os ovos, pedras e fruta podre até termo da gravidez.

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