10 métodos infalíveis para escapar aos fiscais das faturas

Há quem recomende mandá-los “tomar” medicamentos por via retal, mas é sabido que os funcionários do aparelho fiscal português estão habituados a digerir alimento indigesto e isso dotou-os de esfincteres poderosos e capazes de resistir sem dano aos tratos mais vigorosos. Em alternativa, a inÉpcia apresenta uma lista de métodos que poderão livrar o consumidor desprevenido do látego espinhoso da Autoridade Tributária e Aduaneira (anteriormente conhecida como Direção Geral de Contribuições e Impostos, Aquilo das Finanças, Circo Mariachi [Leões! Trapezistas! Palhaços!] ou simplesmente Quer Que Lhe Faça O Quê Para Me Perdoar os Juros de Mora?). O uso da palavra “látego” na frase anterior em vez de um mais corrente “chicote” explica-se pela nova regra fiscal que isenta de imposto sobre estupidez os parágrafos que contenham pelo menos um (1) sinónimo desnecessário.

Nota: A infalibilidade referida no título poderá ser parcial ou inexistente. Não se aceitam reclamações de quem decidir aplicar os métodos abaixo referidos e acabar preso, penhorado até ao tutano ou embalsamado em vida e convertido em distribuidor de senhas numa repartição de finanças.

1-O método infantil:

Ao ser abordado pelo fiscal após pagamento do seu rissol e sumo de laranja, irrompa em pranto e atire-se para o chão, esperneando e chamando pela mãe. Se lhe trouxerem a mãe, convença-a a fazer o mesmo até se tornar impossível trazer uma ascendente direta viva.

2-O método animal:

Comece a ladrar, miar, uivar, zurrar ou balir e mova-se de gatas. Aproveite o desconcerto para saltar a cerca. Se não houver qualquer desconcerto, tente urinar na perna de alguém.

3-O método amnésico:

Quando lhe for exigida a fatura que devia ter pedido, pergunte: “Qual fatura?” Depois de lhe ser explicada qual a fatura em questão, pergunte o que é uma fatura. A meio da resposta (se a houver), comece a olhar em redor e pergunte onde está e como veio ali parar. Exija saber a sua própria identidade. Pergunte qual é o ano e negue violentamente a resposta que lhe for dada. O segredo do sucesso deste método está na persistência. Se o ameaçarem com a prisão, pergunte: “O que é uma prisão?” Se tentarem colocá-lo numa sala fechada com Vítor Gaspar, desista. Ninguém é de ferro. (O atual Presidente da República  é de madeira, mas não vem ao caso e a ele ninguém lhe pede as faturas.)

4-O método continuado:

Responda que não pediu fatura apenas porque ainda não terminou de consumir. Pagou porque a sua religião lhe exige que faça pagamentos parciais. Ninguém lhe perguntará qual é a sua religião porque tal poderia ser interpretado como ingerência grave na liberdade religiosa assegurada pela constituição. Regresse ao estabelecimento e olhe os produtos expostos, fingindo-se indeciso. Mantenha-se assim até o fiscal se cansar, deixando-o sossegado. Se não acontecer e o estabelecimento encerrar, aplique os métodos 1 ou 2. (ver acima)

5-O método espelho:

Responda a tudo o que lhe for dito com a repetição exata das palavras que ouviu. Este método é recomendado apenas aos apreciadores de risco, já que as possibilidades de sucesso são diminutas e, para anulá-lo, bastará que alguém lhe diga uma frase impossível de repetir. Algo como: “Tenho a certeza absoluta de que o ministro Vítor Gaspar é um ser humano normal e não um híbrido de salamandra e chimpanzé depilado”.

6-O método “eu só vim cá ver a bola”:

Responda apenas em lituano. Quando confrontado com os seus documentos de identificação portugueses, continue a falar só em lituano. Se for confrontado com familiares, vizinhos e amigos que atestem a sua portugalidade, não deixe de falar lituano. Se tudo o resto falhar, exija ser deportado para a Lituânia. Em Vílnius, ninguém lhe fará exigências fiscais estapafúrdias. Se não souber falar lituano, aprenda. Não espere ter a papinha toda feita, que raio!

7-O contra-método:

Um fiscal pede-lhe a fatura do jornal que acaba de comprar num quiosque. Muito bem. Elogie-o pelo seu profissionalismo. A seguir, apresente-se como agente da Autoridade de Supervisão da Autoridade Tributária e Aduaneira (mostre-lhe de relance um cartão de hipermercado se for preciso) e peça-lhe a sua licença de inspeção e autuação devidamente atualizada e carimbada pelos serviços centrais. Perante alguma incredulidade inicial, insista, chame-lhe “colega” e mostre-se disponível para fazer “um jeitinho” se a autorização não estiver carimbada, mas precisando de a ver mesmo assim. Refira um chefe que lhe causará problemas se fizer mais do que isso. Apele para o companheirismo de classe. Use a frase: “O colega compreende.” Aproveite o momento em que o fiscal vencido pela dúvida ligar para os serviços centrais para se esclarecer e abra-lhe a garganta com um impresso normalizado de modelo 3. Fuja e mantenha-se escondido durante os vinte anos seguintes.

8-O método sobrenatural:

Ajoelhe-se no chão, fixe um ponto ao acaso e mantenha um diálogo imaginário com uma figura invisível. Diga que vê Jesus Cristo, Nossa Senhora, Maomé ou Buda, pairando sobre uma moita, flutuando sobre uma nuvem ou saindo de dentro de uma lata de salsichas tipo Frankfurt. Anuncie milagres, prometa curas, solicite donativos e ameace os incrédulos com castigos cruéis . Mande converter o espaço à sua volta em santuário, motive peregrinações e, por fim, peça isenção da obrigação de pedir fatura por ligação estreita e privilegiada com a divindade.

9-O método “mão na consciência”:

Aceite pagar a multa de bom grado, mas, antes, converse com o fiscal. Faça-lhe perguntas cordiais, interesse-se pela sua vida. Procure averiguar que opções o conduziram a uma carreira na máquina fiscal. Descubra se houve alguma frustração profissional (talvez o seu sonho fosse dedicar-se à prostituição ou ao banditismo de estrada e não houvesse vagas…). Pergunte-lhe pela infância, por animais de estimação já falecidos. Confronte-o com o que pensaria a sua fiel cadelinha Mitucha da sua vida atual, reduzido a abutre de café e retrosaria, tentando multar quem bebe um café ou compra um dedal sem pedir fatura. Aproveite o choro inevitável para se pôr a milhas.

10-O método Viegas:

Se for apanhado sem ter pedido fatura depois de uma visita ao seu bordel de eleição, finja ser um antigo secretário de Estado acabado de sair do governo. Se conseguir ser convincente, não precisará de mais nada. Também pode fingir ser deputado, mas, nesse caso, este estratagema funcionará melhor quando se encontrar profundamente embriagado e sentado ao volante de um automóvel.

Um comentário

  1. 11 – O método hipocondríaco – Se for interpelado por qualquer Agente da Autoridade Tributária e Aduaneira, quando inadvertidamente se esqueceu de pedir a factura do massajador facial que vai oferecer à sua cara metade, não entre em stress. Avalie o solo, se for muito empedrado tente procurar um relvado próximo, e, de seguida, atire-se para o chão, babe-se e mova os membros como se tivesse apanhado um choque eléctrico. Ele vai com toda a certeza, achar que teve uma crise epiléptica e chamar de imediato o INEM. Caso isso não aconteça, urine nas calças ou em ultimo caso evacue mesmo. Se mesmo assim ele ainda não estiver convencido, embate de forma selvagem contra qualquer objecto que estiver por perto, de forma a sangrar e tornar o quadro mais realista, e, se mesmo assim não resultar, não se preocupe que qualquer transeunte irá chamar o INEM e você será transportado para qualquer hospital próximo.

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