Os 14 piores ministros deste governo

É comum dizer-se que o atual governo é o pior de sempre e que nenhum dos ministros que o constituem terá qualquer coisa que se assemelhe a uma qualidade redentora. Isto é falso e quem o diz não sabe do que fala. Porque, com um conhecimento mais aprofundado da história deste nosso Portugal (que é incomparavelmente melhor que os Portugais dos outros, porque é mais genuíno), percebemos sem grande esforço a dimensão da falácia. Para quem precisar de prova, atente-se no exemplo daquele governo provisório do PREC em que todos os ministros e secretários de Estado eram canibais confessos. Ou num outro governo mais remoto, no reinado de D. Luís, que decretou um imposto especial sobre as idas à casa de banho (com as condições sanitárias correntes no Portugal oitocentista, leia-se “idas ali àquele canto do quintal ou à arrecadação onde também guardamos os nossos parcos víveres”). Para deixar claro que nem tudo é mau, expõem-se na lista que se segue, aqueles que são os piores ministros do presente governo. Para que fiquem devidamente livres de críticas menos justas todos os outros.

NOTA: A lista refere apenas ministros, excluindo-se os secretários de Estado (porque são todos uns pelintras sem exceção), bem como o primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro, que são pessoas de idoneidade e competência absolutamente intocáveis. Que me transforme já aqui num hominídeo a arrastar os dedos pelo teclado de um computador se isto não é a mais pura das verdades.

Maria Luís Albuquerque – Ministra de Estado e das Finanças

A senhora não sabe nada sobre os contratos “swap” e agradece que não voltem a aborrecê-la com isso. Sobretudo quando tem tanto trabalho com as exigências do orçamento e da troica e com a manutenção da ilusão de que não é o ex-ministro Vítor Gaspar submetido a cirurgia cosmética longa e dolorosa. “Que disparate”, dirão muitos. “Pois se Vítor Gaspar nem sequer era loura nem nada!” Não? Será mesmo que não era?

Rui Machete – Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

“Branco é, galinha o põe”, já diz o ditado. A não ser que a galinha pertença a Rui Machete. Nesse caso, é provável que, em vez de branco, a galinha ponha qualquer coisa muito negra e substancialmente viscosa, capaz de se arrastar pelo chão como se tivesse vida própria, trepar pela perna de cidadãos incautos e devorar-lhes a cara. Conheço uma pessoa a quem aconteceu precisamente isto. Não estou a dizer que Rui Machete é uma manifestação terrena de Belzebu, mas… Pronto. Estou.

Aguiar Branco – Ministro da Defesa Nacional

Que se passa com o cabelo de Aguiar-Branco, sempre tão penteado na sua perfeição grisalha e bem vitaminada? Com aquele risco ao lado inabalável, as melenas do ministro da Defesa parecem desafiar quem as aprecia ao longe a aproximar-se para inalar o perfume floral exótico de um champô caro feito à base de testículos de panda extraídos em vida. Além disso, há o hífen. Uma pessoa de bem não precisaria de hífen para nada. Jesus Cristo tinha hífen? Não tinha. Tal como o Mahatma Gandhi, a Madre Teresa, a Princesa Diana ou o Ayrton Senna.

Miguel Macedo – Ministro da Administração Interna

Certa vez, ia a passar por uma rua de Lisboa quando ouvi um “psst”. Olhei em redor, tentando descobrir-lhe a origem, e vi o ministro Miguel Macedo encostado a uma parede a enrolar um cigarro medicinal. Chamou-me com um dedo e, porque obedeço sempre aos chamados de figuras destacadas da nossa hierarquia governativa, lá fui. Quando cheguei perto dele, o ministro levou o cigarro à boca e perguntou-me, com um sorriso de rufia: “Se não te tivesse chamado, onde é que já ias?” A seguir, fez-me um gesto obsceno com o dedo médio esticado e o indicador e o anelar encolhidos de cada lado. Não tenho nada a apontar-lhe enquanto ministro, mas acho que isto foi escusado.

Paula Teixeira da Cruz – Ministra da Justiça

A primeira versão desta lista não referia a ministra da Justiça. Não por ser melhor que o resto do governo mas porque, aquando da feitura do texto, se encontrava escondida atrás de Marques Guedes, fingindo que não era nada com ela. Só por isso, merece repúdio a triplicar.

Luís Marques Guedes – Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares

O Miguel Relvas é um aldrabão que devia era ir estudar e… Ora bolas. Para este não tenho nada. Peço desculpa. Não sabia que já tinham substituído o outro. Mas de certeza que cheira muito mal dos pés.

Luís Poiares Maduro – Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional

Pode ser um argumento infantil, mas uma pessoa que tem a palavra “poia” escondida num apelido não pode ser digna de confiança. Além disso, porque anda sempre despenteado? O ordenado que os contribuintes lhe pagam não chega para um pente? Que vá pedir dicas ao Aguiar-Branco. Mas será melhor aproximar-se com cautela e anunciando a sua presença porque aquele homem é mortífero com o arremesso do hífen quando o surpreendem.

Pires de Lima – Ministro da Economia

Sou uma pessoa que gosta de Sumol e 7Up. Não tenho pudor de o admitir. Acho que o mundo seria um sítio mais bonito e seguro se todos admitíssemos às claras quais são os nossos refrigerantes preferidos. Portanto, quando soube que o novo ministro da Economia era o homem responsável pelo Frisumo e pela Snappy, senti vómitos. Devias ter vergonha na cara, Pires de Lima. E que raio de zurrapa vem a ser o Frutea? Ou é “fru” ou é “tea”. Um híbrido destes é tão monstruoso como o Lobo Xavier a fazer tranças nos pelos do peito do Freitas do Amaral.

Jorge Moreira da Silva – Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia

Quem?

Assunção Cristas – Ministra da Agricultura e do Mar

Do Mar?! Sim, do Mar. É a menos má dos ministros nesta lista. Mas apenas porque se encontra em fase de aleitamento e não convém apoquentá-la em demasia dizendo que aquela história de querer impedir as pessoas de encherem os seus T1 com oitenta e sete gatos e fingir que nunca tinha acontecido logo a seguir não foi nada fixe.

Paulo Macedo – Ministro da Saúde

Bons tempos em que Paulo Macedo ganhava quase vinte e quatro mil euros por mês como diretor-geral dos Impostos para pôr ordem nas Finanças e acabar com o desvio ilegítimo de receita. Bons tempos em que o país sabia apreciar ironias doces em silêncio obediente. Agora, vão para as urgências dos hospitais gritar que lhes estão a sair as tripas pelo nariz e que não têm dinheiro pagar a taxa moderadora. É uma pouca-vergonha.

Nuno Crato – Ministro da Educação e da Ciência

É difícil falar mal de Nuno Crato. Porque é um homem que, claramente, tem ideias para a Educação e não receia pô-las em prática, contra ventos e marés. Mesmo que, por vezes, seja demasiado óbvio que as ideias lhe ocorrem depois de passar tempo demais a fazer o pino, com o sangue todo acumulado na cabeça. Sinceramente, acho notável que nunca tenha determinado que o ensino da matemática passará a ser feito por vasos de petúnias licenciados em marcenaria orçamental pela Universidade Submarina da Atlântida.

Pedro Mota Soares – Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social

E quando Pedro Mota Soares era aquele rapazola simpático que seguia Paulo Portas de feira em feira montado numa económica lambreta? A lambreta ficou-se pela tomada de posse, claro, prontamente substituída por um carro de alta cilindrada. Que, no fundo, é só uma lambreta com mais duas rodas, um pouco mais de chapa, vidros elétricos, ar condicionado e um bustozinho dourado do Manuel Monteiro, que aparece quando se carrega num botão e ninguém sabe explicar.

Aníbal Cavaco Silva – Ministro de Ser Presidente da República

Pensando bem, este até é bastante divertido. À sua maneira peculiar.

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