Governo pode estar a fabricar em série obras de pintores famosos

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A suspeita surgiu com o anúncio por Marques Guedes de que os interessados na compra das “93” obras de Miró incluídas na coleção de arte do BPN terão de participar no leilão da Christie’s, não havendo possibilidade de venda direta. O número de obras agora referido não bate certo com o que foi divulgado aquando da primeira tentativa de leilão, não se percebendo de que forma as 85 obras do pintor surrealista catalão se multiplicaram.

Confrontado com a discrepância, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares pensou por alguns segundos antes de sair a correr da sala onde decorria a conferência de imprensa, empurrando o secretário de Estado da Cultura para o interior e fechando a porta logo a seguir.

Depois de confirmar que a porta estava trancada, Barreto Xavier largou o pincel e tentou limpar as mãos cheias de tinta, acabando por se sentar e explicar que foram recentemente descobertas novas obras nos cofres do BPN, não apenas de Miró mas também de outros pintores célebres. Em seguida, pediu que fosse projetado um powerpoint com a lista atualizada de obras brevemente submetidas a leilão, onde se incluíam quadros de Picasso, Rembrandt, Van Gogh, Turner, Tintoretto e Beethoven.

Quando um jornalista mais atento referiu que Beethoven era compositor, não se lhe conhecendo qualquer obra pictórica, o secretário de Estado balbuciou qualquer coisa sobre uma contribuição do ministro da Economia, Pires de Lima, alegando rapidamente que este não perceberia nada de cultura antes de conseguir escapar por uma porta lateral.

O novo leilão das 107 obras de Miró está agendado para junho.

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