A história de amor entre um jornal desesperado por exposição e um público facilmente manipulável

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Instruções: A azul, a melosa história de amor entre um hitlerzeco de pacotilha e uma militante socialista com ideais muito confusos. A vermelho, a bucólica história de amor entre um pastor das serranias beirãs e uma cabra do seu rebanho. A verde, a piedosa história de amor entre um religioso dominicano e uma noviça de bigode. Riscar o que não interessa.

A história de amor entre um skinhead/pastor beirão/frade dominicano e uma menina de Cascais/cabra de olhos meigos/noviça de Braga

Os acordes da música gótica/pimba/gregoriana num bar alternativo do Cais do Sodré, Lisboa/da Covilhã/de Fátima, deixaram de incomodar  Mário Machado/Alípio Casimiro/Frei José do Espírito Santo assim que a viu. No centro da pista de dança, uma mulher alta, cabelo comprido ruivo e minissaia/uma cabra de pelagem luzidia, olhar doce e úbere generoso/uma noviça carmelita com verruga peluda na ponta do nariz, ao estilo psychobilly/serrano/valha-nos Deus. O coração disparou. “Aquela paixão que dá logo”, recorda. Disse-o aos amigos e aproximaram-se dela. “Meu Deus! Fiquei cheia de medo. Estava rodeada de skinheads/pastores que cheiravam a queijo/dominicanos atrevidos”, conta Susana/Ruça/Irmã Ofélia ao Observador/à Gazeta Agropecuária de Cucujães/ao Semanário Eucarístico “O Sagrado Prepúcio”. Ele, confessa, aproveitou-se desse medo para lhe ganhar a confiança. Dez anos depois, a relação improvável entre um neonazi/guardador de caprinos e ovinos/religioso especializado em licores e trabalhos de marcenaria e uma filiada no Partido Socialista/cabra/aspirante a carmelita resiste.

Estão sentados lado a lado numa esplanada em Lisboa/num curral de Labruges do Monte/num centro paroquial de Viseu. Aproveitam cada minuto da última saída precária da prisão de Alcoentre/das exigências do pastoreio/do convento remoto, onde Mário Machado/Alípio Casimiro/Frei José do Espírito Santo cumpre pena de 10 anos de cadeia em quatro processos, por crimes de discriminação racial, posse de arma ilegal, agressões, difamação/vai fazendo pela vida/dedica o seu quotidiano a fabricar licor de ameixa e a reparar cadeiras encontradas no lixo. Ao Observador/À Gazeta Agropecuária de Cucujães/Ao Semanário Eucarístico “O Sagrado Prepúcio”, intercalam entre os dois episódios de uma história de sorrisos, lágrimas e um filho. Quando discordam, trocam carinhos e beijos na testa. Perdoam-se. “Ela é muito ciumenta”. “Não sou nada, eu é que tive de apagar os amigos rapazes do Facebook”, responde-lhe. Ele acaba por baixar a guarda: “costuma dizer-se que por trás de um grande homem/pastor/frade há sempre uma grande mulher/cabra/noviça”. A mulher/cabra/noviça de quem fala chama-se Susana Machado/Ruça/Irmã Ofélia do Sagrado Coração, tem 34/3/19 anos e é licenciada em Matemática Aplicada/ruminante/possuidora de um buço impressionante. Não diz onde trabalha/pasta/reza para preservar a sua identidade.

Os tempos de reclusão/pastorícia/oração serviram a Mário Machado/Alípio Casimiro/Frei José do Espírito Santo para (quase) se licenciar em Direito/Queijaria Avançada/Teologia Subaquática e para tomar uma nova decisão: seguir um percurso político. E foi na prisão/na serra/no convento que o nacionalista/adepto ferrenho do Sporting da Covilhã/religioso pensou nos moldes e no nome do partido que quer criar: Nova Ordem Social (NOS)/Frente Unida dos Pastores Anarquistas (FUPA)/Movimento Fradinhos das Caldas (MFC). Segundo o próprio,  o símbolo do partido – uma seta em frente/uma caganita/um frade de louça  – significa que não está posicionado “à esquerda ou à direita”.

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