O XXI governo constitucional — uma análise imparcial por Passos Coelho

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Olá a todos. Lembram-se de mim? Ainda há pouco era primeiro-ministro de todos vós. Poderia e deveria continuar a sê-lo se não tivessem acontecido as situações lamentáveis que são do conhecimento de todos, mas nunca fui pessoa de chorar sobre governo derramado. O novo governo, a quem desejo toda a sorte para bem do país (apesar de ser ilegítimo, batoteiro, desonesto e de conduzir irremediavelmente o país ao abismo) encontra-se já em funções e merecerá análise isenta. É para isso que cá estou, disposto, como sempre estive, a colocar a minha capacidade de análise, os meus conhecimentos de governação e (porque não dizê-lo?) a minha beleza física ao serviço dos portugueses. Vamos a isso.

António Costa – Primeiro-ministro

É claramente um bom negociador (veja-se como conseguiu um acordo com forças políticas habitualmente avessas a integrar soluções governativas e como soube vender a alma a Satanás em troca do poder a qualquer custo, por intermédio de um amigo próximo do príncipe das trevas: Pacheco Pereira). Restará saber se isto chegará para liderar o país num momento em que Portugal começava a recuperar dos apuros financeiros motivados por decisões de governos anteriores do seu partido. Até dar provas concretas, será uma incógnita.

Augusto Santos Silva – Ministro dos Negócios Estrangeiros

Outra vez? Em quantas pastas diferentes já vai? Cinco? Seis? Doze? Quatrocentas e trinta e uma? Fica assim bem claro que o PS é um partido que, sempre que chega ao poder, começa a distribuir tachos e tachinhos (perdoem-me a graça; é uma coisa que me sai com naturalidade) por figuras influentes do partido. Pessoalmente, acho que isto está muito mal. E o Miguel Relvas, o Miguel Macedo e o Aguiar Branco concordam comigo.

Maria Leitão Marques – Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa

Sejamos claros. “Modernização administrativa”? Mas a modernização administrativa não foi já feita pelo governo anterior? Basta visitar uma qualquer repartição pública em qualquer ponto do país e constatar isso mesmo. Todas têm computadores, luz elétrica e, em casos especiais, até mesmo casas de banho equipadas com aquelas luzes modernas que acendem e apagam sem ser preciso carregar em botões. A mim, parece-me sempre magia, mas tenho amigos que seguem os avanços da tecnologia e me asseguram que não é. Eu fico na minha e eles na deles. É assim a democracia. Acho eu…

Mário Centeno – Ministro das Finanças

Numa palavra: LOL.

Azeredo Lopes – Ministro da Defesa Nacional

Não sou pessoa de andar por aí a dizer mal deste e daquele, mas ouvi dizer de fonte mais ou menos segura que o novo ministro da Defesa não foi à tropa. Ora, isto é inaceitável. Falando como antigo veterano desse conflito terrível que foi a Guerra das Pechinchas do supermercado Pão de Açúcar em 1987, não respeitaria enquanto militar um ministro que nunca assentou praça e que não sabe a diferença entre uma G3 e um par de cuecas (o par de cuecas é o que faz menos comichão nas partes baixas; isto se forem de algodão e não de materiais mais exóticos ou mesmo comestíveis).

Constança de Sousa – Ministra da Administração Interna

Digam o que disserem de mim, os portugueses não poderão nunca acusar-me de não ter escolhido com o máximo cuidado o titular de uma pasta que tutela as forças policiais, os esforços para manter a segurança no país e o consumo de legumes congelados (este último elemento carece de confirmação, mas não me lembro da morada do Google para pesquisar). Constança de Sousa poderá até ser uma excelente trapezista (os seus méritos circenses são lendários), mas não estará à altura de um Miguel Macedo ou de… Como se chamava a outra? Alguém sabe? Aí está mais uma coisa para pesquisar no Google. (Google.zx? Será isto?)

Francisca Van Dunem – Ministra da Justiça

Uma pessoa muito competente e, sem dúvida nenhuma, uma excelente escolha para esta pasta ou para qualquer outra. Não tenho nenhum defeito a apontar-lhe e só um mentiroso velhaco insinuaria o contrário.

Eduardo Cabrita – Ministro Adjunto

Conheci Eduardo Cabrita de passagem nos meus tempos de líder da JSD. Estava à espera do autocarro num dia medonho, ao frio e à chuva, quando passa por mim ao volante de um confortável automóvel de alta cilindrada. Reconheceu-me, mas fingiu que não me tinha visto para não me dar boleia. Continuei a sofrer com a intempérie. O autocarro só chegou dali a meia hora e apanhei uma pneumonia que me apoquentou durante as semanas seguintes. Pergunto: é este o tipo de pessoa que António Costa quer no seu governo? Se é, estamos conversados… (Muitos poderão estranhar que andasse de autocarro quando liderava a JSD. E com razão. Não andava, de facto. Tinha ao meu dispor uma viatura com motorista. Mas não é isso o que mais importa nesta história. Tratou-se de uma parábola. Como as de Jesus Cristo.)

João Soares – Ministro da Cultura

Deixem-me rir. “Ministro” da Cultura? A cultura é assim tão importante que precise de um ministro em vez de um secretário de Estado? Não me interpretem mal. Eu também gosto muito de cultura. Sou um profundo apreciador de formas de expressão artística como o canto, o teatro, o paraquedismo e o tiro com arco, entre outras. Na minha juventude, pratiquei durante poucos anos e com algum mérito a arte da pintura rupestre. Mas, no período financeiramente conturbado de que Portugal começava finalmente a sair, será sensato nomear ministros da Cultura quando não há dinheiro sequer para subsidiar o recital de canto de um invisual? Agora que já expus o que penso sobre o assunto, deixem-me cá ver quem foi o escolhido para titular da pasta… Bolas. Estava a beber um chá de tília e cuspi-me todo. Felizmente, não estava a escaldar.

Manuel Heitor – Ministro da Ciência

Para alguns, não será uma má escolha para o ministério da Ciência. Mas, se olharmos para o seu currículo (posso não saber a morada do Google, mas sou assinante da edição impressa da Wikipédia) vemos que a sua carreira académica foi construída em parte na área da “mecânica de fluidos e combustão experimental”. Vamos por partes. Em primeiro lugar, os fluidos são sempre uma coisa um bocado nojenta. Quanto à combustão experimental, parece-me algo perigoso, sobretudo num período em que o mundo se vê a braços com a ameaça do terrorismo internacional. Calma. Não estou a dizer que Manuel Heitor pertence às fileiras do Estado Islâmico. Não tenho quaisquer provas de que assim seja. Mas também não tenho provas do contrário. E, para bom entendedor…

Tiago Rodrigues – Ministro da Educação

Tenham paciência, mas há coisas que não são aceitáveis. Um ministro chamado Tiago? Que se segue? Um ministro chamado Rúben? Um secretário de Estado chamado Pedro Nuno? Pelo andar da carruagem, qualquer dia temos o país a ser representado junto dos nossos parceiros internacionais por pessoas chamadas Nílton ou Vânia Cristina. Não, esperem. Vânia Cristina não. Porque se trata de uma mulher e, como toda a gente já percebeu pelo número reduzido de ministras do sexo feminino, António Costa despreza o segmento vagino-português da população.

Vieira da Silva – Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social

Outra vez? Em quantas pastas diferentes já vai? Cinco? Seis? Doze? Quatrocentas e trinta e uma? Fica assim bem claro que o PS é um partido que, sempre que chega ao poder, começa a… Esperem. Estou a ter uma sensação terrível de déjà vu. Não disse isto mesmo ali em cima? Acho que preciso de outro chá de tília. E de não pensar no João Soares enquanto o bebo.

Adalberto Fernandes – Ministro da Saúde

Para qualquer outro momento, consideraria Adalberto Fernandes um bom ministro da Saúde. Mas não quando temos uma epidemia de ébola prestes a eclodir no nosso país. Seria melhor escolher alguém mais habituado a lidar com catástrofes de grande escala. O que foi? Ah. Não sabiam da epidemia de ébola? Ups! Fui informado na minha última semana como primeiro-ministro e deixei ao meu sucessor uma mensagem a alertar para a urgência da situação. Escrevi-a em esperanto com um lápis por afiar numa folha de árvore seca que apanhei do chão e deixei-lha debaixo da carpete do gabinete. Se optou por ignorar o meu aviso, a responsabilidade é toda sua.

Pedro Marques – Ministro do Planeamento e das Infraestruturas

Do Planeamento e das Infraestruturas ou do Planeamento das Infraestruturas? Ou das duas coisas? Ou de nenhuma? Um dos muitos problemas deste governo é a falta de clareza. Além disso, a cara deste ministro faz-me pensar na finitude da vida humana e isso entristece-me. Não gosto de ficar triste.

Manuel Caldeira Cabral – Ministro da Economia

Na minha modesta opinião, que vale o que vale, só pessoas que usam habitualmente roupa interior deveriam poder integrar governos. Parece que nem todos concordam. Respeito, mas não abdicarei jamais dos meus ideais.

João Matos Fernandes – Ministro do Ambiente

O meu ministro do Ambiente sorria mais. Era uma alegria chegar ao Conselho de Ministros e ver o sorriso do Jorge. Foi sempre assim, desde o dia em que o fomos buscar ao orfanato para concretizar o seu sonho de ser ministro. O sorriso manteve-se até ao último dia. Custou-me muito vê-lo ser atropelado por um elétrico e posteriormente sodomizado por uma manada de gnus que ia a passar por aquela rua lisboeta a caminho do Serengeti.

Capoulas Santos – Ministro da Agricultura

Finalmente, a aposta nos jovens… (Não sei se deu para perceber, mas estava a ser irónico. Se me vissem, teriam percebido porque, sempre que sou irónico, enfio um barrete amarelo pela cabeça abaixo para assegurar que não me interpretam mal.)

Ana Paula Vitorino – Ministra do Mar

Há quem considere negativo que um governo integre dois ministros casados um com o outro, mas permitam-me que discorde. Se a ministra do Mar meter água (viram o que fiz aqui?), não será certamente por ser casada com o ministro ajunto. Afinal, o Nuno Crato também casou com a Maria Luís numa cerimónia cherokee (sem validade jurídica) durante visita conjunta aos Estados. Unidos e isso não impediu que dessem um contributo muito válido ao país. Não. Se o ministério do Mar for ao fundo (outra vez… viram?), será porque a ministra se armou em carapau de corrida. (Se calhar, é melhor ficar por aqui. Por mim, continuava, mas, mesmo quando se está a ter muita piada, o que é demais acaba por ameijoar… Perceberam? É um trocadilho com… Deixem lá. Já percebi que foi avançada demais. Os génios são muitas vezes incompreendidos .)

Pedro Passos Coelho – Ministro de Tomar as Decisões Realmente Importantes

Isto foi só uma pequena brincadeira inocente. Não resisti. Mas não acham que seria boa ideia? Apresento desde já a minha disponibilidade para o que for preciso.

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