“E se o Tino ganhar?” – e outras previsões presidenciais

 

Se o Tino ganhar… perdão, se o candidato Vitorino Silva ganhar, Portugal será gerido como uma junta de freguesia mas à escala nacional. Haverá feiras de fumeiro e de antiguidades em meses alternados. Grandes bailes com nomes sonantes da pimbomúsica até às tantas. Patuscadas a granel. Na sua primeira presidência aberta, Tino calcetará toda a superfície do país.

Se a Maria de Belém ganhar, todos os portugueses passarão a receber subvenções vitalícias. Ou então apenas ela própria. E alguns amigos escolhidos a dedo.

Se o Cândido ganhar, o PS perceberá, cheio de mágoa, que deixou escapar um candidato de primeira categoria. E será tarde. Porque a independência partidária do novo presidente será para manter. O retrato para a galeria presidencial será imediatamente encomendado e terá de ser obrigatoriamente maior que o de Mário Soares.

Se o Edgar ganhar, a vocação regressará em grande. Deus (Nosso Senhor) virá à tomada de posse para convocar o ex-padre de volta às fileiras da cristandade. Mas não será grave porque, do alto da sua infinita bondade, o Criador será magnânimo a ponto de permitir que o ex-padre permaneça comunista e até beatificará Lenine como favor especial.

Se o Sampaio ganhar, o seu primeiro mandato presidencial será inteiramente dedicado à cidadania. Se sobrar tempo, dedicar-se-á também alguma atenção a outras abstrações, como a horizontalidade, a concomitância ou o imperativo categórico kantiano. A licenciatura em teatro não voltará a ser referida.

Se a Marisa ganhar, os guardas republicanos à porta do Palácio de Belém passarão a ser três: um homem, uma mulher e uma pessoa transgenérica. A designação oficial do cargo passará a ser “cidadã que, sendo igual a todos os outros e outras, ocupa o mais alto cargo governativo por vontade popular expressa sem desrespeitar todas as vontades, convicções e sentires alheios”. O mastro da bandeira que esvoaça sobre a residência presidencial passará a ostentar um pequeno cachecol de lã (por uma questão de estilo e também para não apanhar frio). Além de tudo isto, a previsível vitória do Sporting no campeonato será vetada.

Se o Paulo ganhar, não existirão mais políticos corruptos no nosso país. Isto verificar-se-á logo durante a primeira semana do mandato, depois de o novo presidente esvaziar os cofres do estado para subornar todos os políticos corruptos para que deixem de o ser.

Se o Henrique ganhar, haverá eleições pouco depois. O presidente perder-se-á durante um passeio matinal por Belém e acabará por entrar pelo Tejo dentro.

Se o Jorge ganhar, o canibalismo passará a ser obrigatório.

Se o Marcelo ganhar, será domingo à noite.

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