Dez mantras para 2017 (incluindo “FODA-SE! FODA-SE! FODA-SE!”)

Descontrai, cidadão. Que 2016 já acabou. Não nos roubará mais celebridades prezadas (o Nicolau Breyner mereceu pelo seu envolvimento no genocídio ruandês com a nefasta produção da ação de extermínio musical “Nico Tutsi-Frutti”). Neste 2017 que agora começa, apenas coisas simpáticas estão autorizadas a acontecer. Mas isso não impedirá que tentemos todos dar uma ajuda com a repetição de mantras preparados pelos mais conceituados lamas tibetanos do Mosteiro de Shongze, perdido na imensidão nevada das montanhas de Vila Franca de Xira, para atrair energias positivas sobre o novo ano. Que o Buda vos faça festinhas a todos, parceiros de humanidade.

Mantra nº 1: FODA-SE! FODA-SE! FODA-SE!

Para exorcizar o que de pior aconteceu no ano que findou e, em simultâneo, para afugentar possíveis acontecimentos negativos que consigam escapar à malha de positividade inabalável que cobrirá o mundo inteiro nos 360 e tal dias que se seguem.

Mantra nº 2: A geringonça vai continuar bem oleada e o presidente Marcelo é um santo.

Para quem gostava de abraçar António Costa. (Até à próxima maioria absoluta e ao convite a José Sócrates para ministro de Dizer Coisas Sentidas e Totalmente Verdadeiras na Televisão.)

Mantra nº 3: A geringonça vai-se escaqueirar inevitavelmente e o presidente Marcelo é um cavalo de Troia do governo anterior.

Para Pedro Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e outros membros do think tank para escavar novos buracos em que enfiar o país para o salvar dos mesmos com pazadas de terra.

Mantra nº 4: Pode estar carregado de defeitos e ter sido eleito à custa da TVI, mas, pelo menos, o presidente atual é humano e não um manequim feito com fragmentos de vassouras velhas.

Para os felizardos que conseguiram esquecer rapidamente a cavacal entidade. Porque merecem sofrer como o resto de nós.

Mantra nº 5: Depois do Zika, venha o Zuka!

A doença da moda de 2016, sucedendo a maleitas mediáticas igualmente meritórias como a doença das vacas loucas, a gripe das aves, a doença do legionário e o ébola, foi o vírus Zika, com a microcefalia como um dos seus sintomas. Em 2017, a doença desejável será o Zuka, uma maleita transmitida pela partilha de anedotas e cujo único efeito será um aumento muito ligeiro no diâmetro do umbigo. Pode não existir, mas de certeza que alguém poderá beijar um macaco ou comer mioleira de morcego algures no mundo e resolver esse problema.

Mantra nº 6: De certeza absoluta que Donald Trump não provocará o fim da civilização com um tweet publicado às três da manhã.

A sério. Quem publica coisas no Twitter a essas horas? Ninguém. Tranquiliza-te, mundo.

Mantra nº 7: Putin é fofo!

Olhem para ele. Alguém que gosta assim tanto de animaizinhos felpudos pode ser mau?

Mantra nº 8: O Estado Islâmico está quase a anunciar a sua conversão em rede internacional de geladarias.

A sua única arma será o gelado de pistácio e as únicas explosões serão de sabor e frescura.

Nota: A crueldade medieval será mantida, mas, em vez de execuções e tortura, limitar-se-á à oferta de gelados fabricados segundo receita medieval: chifres ocos recheados com neve ensopada em banha de porco derretida.

Mantra nº 9: Fora o Brexit, viva o Bros Hit!

O Reino Unido voltará atrás e, para comemorar a feliz decisão, todos desfrutaremos em comunhão europeia do regresso ao ativo do imberbe conjunto britânico Bros, prometido para 2017. “Party like it’s 1987!”

Mantra nº 10: Mesmo que a civilização chegue ao fim, os filmes do Mad Max ensinam-nos a ver o lado positivo do apocalipse.

Não ensinam? O meu forte é o cinema belga.

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