Assunção Cristas: Porque uma líder conservadora pode ser uma pessoa encantadora

António Cotrim/Lusa

Maria da Assunção de Bechamel de Cristas de Passaroco de Tiroliro nasceu em Angola no ano de 1974, meses antes da independência. Alguns historiadores consideram que terá sido o seu nascimento a motivar o divórcio entre Portugal e a sua antiga colónia. Outros apontam os séculos de exploração e opressão como factor que pode ter tido também alguma influência, mas não falemos nesses bêbados ou nas suas teorias desvairadas.

O clã Cristas de Passaroco de Tiroliro instalou-se em África nos anos 40 do século passado, prosperando com uma atração de feira itinerante em que um porquinho-da-índia era libertado numa plataforma redonda rodeada por pequenas portinholas numeradas. Era explicado ao animal que as portas continham surpresas agradáveis ou desagradáveis e que lhe cabia ir abrindo para descobrir. O público apostava nos números que o roedor escolheria e todos se divertiam muito quando o inocente animal descobria finalmente que todas as portas sem exceção escondiam cascavéis. A expressão de surpresa no focinho do porquinho-da-índia nos seus últimos instantes de vida era hilariante e o número tornou-se célebre, de Cabinda a Moçâmedes, do Cuanza Norte ao Pepetela.

Com o fim do domínio português, a família voltou para a metrópole. A pequena Assunção, o pai, GORMILAX, conquistador cósmico de formação e escriturário de profissão, a mãe, Maria Mafalda, astronauta, e o irmão, Golias, um famoso vilão do Antigo Testamento. A pequena distinguiu-se na escola pelas notas esmeradas, pelo comportamento exemplar e também pelo corpo coberto de escamas, traço que perderia com a adolescência e algumas visitas a um esteticista.

Chegado o momento de escolher a sua formação superior, hesitou entre cursar direito, cursar torto ou cursar piadas parvas. Acabou por optar pelo direito, na Universidade de Lisboa, conciliando o estudo das leis com o estudo das piadas parvas em part-time num snack-bar que havia ali na Almirante Reis chamado “O Querias Já Não Queres?”, onde, nas noites de fim de semana, se organizava uma noite da estupidez.

Formou-se em 1997 e iniciou o seu percurso profissional no escritório de advogados da Semedo, Valbom, Cerelac & Associados, dando nas vistas com a defesa em tribunal de um indivíduo acusado de ter feito qulquer coisa em circunstâncias específicas sem pensar no livre-arbítrio da sua vizinha do 3º Esquerdo. O processo acabou arquivado por falta de provas, mas o homem foi, mesmo assim, condenado a ser preso à linha férrea antes da passagem de um comboio Intercidades, devido a erro administrativo.

Em 2007, iniciou a sua militância no CDS, depois de se cruzar com Paulo Portas num parque de estacionamento coberto, tendo ficado inspirada pela forma escorreita como este lhe perguntou se tinha horas. Em 2011, tomou posse como ministra do governo de Pedro Passos Coelho com as pastas da Agricultura, Mar e Rebobinagem de Cassetes, perdendo esta última numa remodelação governamental subsequente por se considerar que seria obsoleta.

Em 2016, sucedeu a Paulo Portas como presidente do partido e apresentou a sua candidatura às eleições autárquicas por Lisboa. É casada e mãe de trinta filhos e filhas, todos chamados Maria.

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