Obrigado, Chico: Outras tolerâncias da visita papal

Na semana do 13 de Maio e da caramelização dos mais recentes santos portugueses, Francisco e Jacinta Marto e Cristiana Pacheco (respetivamente: dois dos videntes de Fátima e a futura padroeira do iogurte grego vendido a preço reduzido por se aproximar o fim do prazo de validade), a laica república portuguesa concederá aos cidadãos funcionários públicos a tolerância de ponto que lhes permitirá participarem nas celebrações ou, simplesmente, embebedarem-se na noite anterior e dormirem até às três da tarde. Mas as benesses da visita de Francisco não se ficam por aí. A lista que se segue foi devidamente aprovada pelos serviços de reprografia da diocese de Leiria-Fátima e abençoada com o toque de uma colher de inox usada numa ocasião pela Irmã Lúcia para tomar um xarope contra alucinações.

No dia 12 de maio, os portugueses estão autorizados por decreto governamental a:

-Presenciar aparições de Nossa Senhora, Jesus Cristo, Mefistófeles, Buda, Maomé, Xiva, do panda Tao-Tao ou de qualquer outra entidade mística da sua preferência, sem receio de internamento psiquiátrico, estigma social, cobertura jornalística da CMTV ou outras represálias de menor gravidade.

-Ocupar faixas de rodagem para dançar o tango como homenagem à Argentina natal do pontífice.

-Escrever segündo régras de hortographya peróprrias.

-Tratar o Presidente da República por Celinho.

-Batizar filhos com nomes habitualmente proibidos. Exemplos/sugestões: Rambo, Hello Kitty, Interdemilão, Daenerys, Sandra, Hélio Cóptero.

-Usar cianeto como tempero sem morrer.

-Atirar produtos hortícolas variados à cabeça de Pedro Passos Coelho. O arremesso de qualquer outro objeto ou a escolha de qualquer outra parte do corpo como alvo será exemplarmente punida com açoites nas nádegas de Vítor Gaspar.

-Não puxar o autoclismo.

-Cantar a letra do hino nacional ao som do imortal êxito pimba-beato Homem Vestido de Branco, de Dino Meira.

-Concretizar os seus sonhos mais desvairados.

-Sepúlveda.

Um comentário

  1. Iluminado diz:

    Caramelização faz todo o sentido. Quando se fala em canonização parece que a ideia é disparar os cadáveres dos pastorinhos através de um canhão depois de tirar uma “selfie” com eles com uma câmara fotográfica específica, tal como a beatificação passaria por fumar os mesmos cadáveres e deixar os restos no cinzeiro.

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *