Prezado senhor ministro,
Dê-me só um segundo para conferir o significado de “prezado” no dicionário e ver se é mesmo o que lhe quero chamar… Não é, mas não faz mal. Não sejamos picuinhas. Até porque, nesta altura, já não se deve importar com o que as pessoas lhe chamam. Qual...
Querida Europa,
É Portugal quem te escreve. Sim, o das caravelas. Continuamos a falar nas caravelas. Não temos nada melhor para alimentar a nostalgia. Não tivemos um império glorioso (aquele conjunto de armazéns de especiarias fortificados não conta), não nos podemos gabar de termos sido uma...
Escrevo-lhe porque tenho umas sugestões a fazer. Faço-o em português porque confio no seu domínio do idioma de Joel Branco e Badaró e não acredito que se limite a ler coisas que lhe escrevem num papel. Podia tentar exprimir-me noutra língua que partilhássemos, mas os resultados seriam catastróficos, por culpa minha. De alemão sei sobretudo nomes de tipos de salsicha, de italiano os meus conhecimentos também não andam muito longe do capítulo gastronómico e do latim da escola apenas recordo expressões brejeiras. (Se quiser, partilho-as consigo em missiva posterior. Há algumas bastante espirituosas.)
Ainda que não nos conheçamos pessoalmente, percebo pela sua postura e discurso que é uma pessoa afável e de bom grado dispensará formalismos com amigos, admiradores e pessoas que consigo simpatizam. É por isso que, se não se importar, continuarei a tratá-lo por "senhor primeiro-ministro." Esclarecido este ponto inicial, espero que encontre algum tempo na sua agenda preenchida para ler nestas linhas algumas coisas que, como cidadão, gostaria de lhe dizer.