Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
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Manuel Alegre propõe que liderança do PS seja decidida por despique de rimas

Manuel Alegre, candidato à liderança do Partido Socialista, considera que o melhor método para escolher o novo secretário-geral seria por intermédio de um despique de rimas à moda antiga em que cada um dos candidatos teria de dar provas da sua flexibilidade intelectual, dotes de retórica e criatividade, não se limitando a falar dos seus planos para conduzir o PS ao poder em discursos inflamados feitos a pensar na comunicação social.

“Era assim que escolhíamos a direcção da Associação de Estudantes nos bons velhos tempos de Coimbra,” recorda o poeta-deputado, “Uma vez ou duas foi com um concurso de escarretas e lembro-me que noutra altura escolhemos a direcção por ordem decrescente de comprimento de pilas mas isso foram excentricidades próprias da juventude. E ainda me lembro de quando apanhámos uma bebedeira monumental e elegemos uma mula. Deviam ter visto a cara do reitor...”

No entanto, Alegre considera que os portugueses não estão preparados para ter uma besta de carga como líder do maior partido da oposição apesar de acreditar que uma mula teria hipóteses de derrotar Santana Lopes “se se apresentasse com um discurso coerente e demonstrasse as preocupações sociais que os portugueses esperam da esquerda democrática que o PS se orgulha de representar.” O despique de rimas apresenta-se então, no seu entender, como a melhor solução.

Outras figuras do partido comentaram já a proposta. Manuel Maria Carrilho, mandatário da candidatura de Alegre, considera que “é uma ideia válida e que permitirá aliar o debate político à dinamização cultural” enquanto que António Costa prefere manter a política e a poesia em esferas afastadas. “Poesia não. Primeiro a eleição. É necessário debater para as posições compreender,” afirmou.

Outro membro do executivo de António Guterres, Paulo Pedroso, rejeita o despique de rimas mas propõe um método alternativo e também ele pouco ortodoxo de escolha do secretário-geral. “E que tal se alugássemos um pavilhão, nos despíssemos todos e jogássemos às escondidas? É uma ideia,” adianta.

Quanto aos opositores de Manuel Alegre, João Soares refere que a poesia não é a sua área e que, nas letras, se sente mais à vontade no romance policial e na crónica de costumes, propondo em alternativa que se escolha o sucessor de Ferro Rodrigues pelo número de amigos que cada candidato tenha na UNITA. José Sócrates, por seu lado, prefere que a escolha seja feita da forma tradicional agora que a sua proposta de escolher o candidato que fique melhor nu foi rejeitada.

Manuel Alegre vai levar a sua proposta de alteração da forma de escolha do líder até ao congresso do partido e rejeita acusações de que está a tentar garantir a sua eleição, visto que é um poeta consagrado. Em sua opinião, “as coisas não são assim tão lineares até porque é praticamente impossível rimar com Sócrates.” No caso de a sua proposta ser aprovada, Alegre propõe que o despique de rimas seja arbitrado por uma figura externa ao partido. O escolhido seria o social-democrata Valentim Loureiro que, apesar de ter elogiado abertamente José Sócrates, “está habituado a lidar com arbitragens de forma absolutamente isenta.”

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