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Álvaro Cunhal é o novo secretário-geral do PCP

Carlos Carvalhas já tem sucessor. O ainda secretário-geral do Partido Comunista Português que anunciou recentemente a sua intenção de abandonar o cargo será, ao que tudo indica, substituído por Álvaro Cunhal, líder histórico do partido que orientou os destinos dos comunistas portugueses entre 1961 e 1992.

A decisão terá sido tomada de forma a conseguir um secretário-geral consensual que agradasse aos militantes mais conservadores e aos renovadores. Com a escolha de Álvaro Cunhal, a ala conservadora do partido vê suceder a Carvalhas um líder que sempre primou pelo apego a um comunismo mais ortodoxo enquanto que a ala renovadora não tem coragem para criticar uma figura de tal importância na história do PCP e do país e, portanto, não terão outro remédio senão ficar calados.

Para além da experiência de décadas, liderando o partido ao longo dos períodos mais conturbados da história de Portugal no séc. XX e do passado de resistente antifascista, outro ponto a favor de Cunhal é a juventude, factor muito importante num partido com militantes e apoiantes cada vez mais envelhecidos. Com 90 anos de idade, Álvaro Cunhal ultrapassou outros favoritos à liderança como o histórico Altino Carvalhal de 131 anos, o homem que fundou o primeiro partido comunista português em 1890 e foi o seu líder durante os três dias da sua existência.

Para Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, trata-se de “uma escolha acertada como são todas as escolhas da direcção do partido.” Tratando-se de uma escolha consensual, a nomeação de Cunhal passará por cima do habitual processo de escolha do secretário-geral pelo comité central que muitos vêem como pouco democrático e que a direcção decidiu tornar público numa tentativa de melhorar a imagem do partido.

Ao contrário do que se pensava, a escolha não é feita através de voto com braço no ar mas recorrendo a uma forma modificada do tradicional jogo das cadeiras em que os vários candidatos correm em volta de um conjunto de cadeiras em número inferior ao som do hino da Internacional Comunista, devendo sentar-se quando a música cessa e sendo eliminados os que ficarem sem lugar. Este método já era usado aquando da revolução de 1917 para escolher os líderes dos bolcheviques russos que, segundo os historiadores, eram gente também muito dada à parvoíce.