Crianças da Casa Pia usadas como alvos móveis pelo exército checo
De acordo com o general Miroslav Stoblacek, o homem que mediou as negociações entre o estado checo e a Casa Pia, “trata-se de uma prática relativamente comum nos exércitos modernos. Antes usávamos crianças vindas do Sudão e da Eritreia mas os órfãos da Casa Pia saem muito mais em conta.” Não vendo qualquer problema de ordem ética mesmo quando confrontado com o facto de nunca terem sido usadas crianças como alvos móveis em exercícios militares em Portugal, o general replicou que “eu disse exércitos modernos.” A provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, preferiu não comentar um acordo que foi assinado antes de ter assumido o cargo, limitando-se a afirmar que “as crianças sempre se divertem mais a desviar-se de morteiros, mísseis e granadas do que das investidas de pedófilos.” Uma das crianças usadas pelo exército checo foi o cantor João Pedro Pais, antigo aluno da Casa Pia, que conseguiu sobreviver à explosão de um míssil balístico que apenas lhe danificou sem remédio as cordas vocais e lhe levou metade do cérebro. Para o cantor, “foram tempos engraçados e que gostava de repetir um dia destes. Os checos são um povo muito simpático... mesmo quando nos estão a tentar acertar com um obus.” O ministro da Segurança Social, Bagão Félix, confirmou a existência do acordo e desdramatizou a polémica. “Não há problema nenhum na utilização de crianças como alvos em exercícios militares, apesar de isto poder não fazer muito sentido assim à primeira,” considera, lembrando ainda que “eu próprio tive uma experiência semelhante na infância. Trabalhei durante alguns verões como lebre numa reserva de caça na Chamusca, o que muito contribuiu para a minha formação como homem e como político.” O único elemento que suscita alguma preocupação às autoridades portuguesas é o facto de a principal arma defensiva do exército checo ser um míssil terra-ar com a designação técnica “Bibi VII.” |