Inépcia: s.f. (do latim "ineptia") 1-Falta de aptidão ou habilidade. 2-Imbecilidade 3-Acto ou dito absurdo.
www.inepcia.com

Antevisão: Euro 2004

Com o Euro à porta, a Inépcia presta mais uma vez um serviço público inestimável aos portugueses com a publicação de uma lista exaustiva das selecções participantes acompanhada por uma breve nota crítica em relação a cada uma. Quem vencerá e porquê? Quem sairá derrotado e porquê? Quem será a figura do Euro pela positiva e pela negativa? Qual será o balanço final feito pelos treinadores de cada equipa? Estas e outras questões só poderão ser respondidas de forma satisfatória quando o processo estiver concluído. Até lá, restam as conjecturas. E, como dizia uma personagem influente (ainda que ligeiramente mal-cheirosa) da futebol nacional, “as conjecturas são como as hemorróidas. Quando aparecem é chato e quando desaparecem, é um alívio do caraças.” Velhadas do raio que nunca disse nada de jeito na vida e não ia começar depois de velho. O grandessíssimo sacana.


Grupo A

Grécia

Figuras: Fyssas, Karagounis, Nikolaidis

Pouco habituados à alta roda do futebol, os gregos têm evoluído muito nos últimos anos com vários dos seus jogadores a mudarem-se para campeonatos estrangeiros mais competitivos. O país que se orgulha de ser herdeiro da civilização que inventou a democracia e o desporto de alta competição traz ao Euro uma equipa que pode surpreender pela positiva. Mas é preciso não esquecer que os gregos também inventaram a homossexualidade...

Portugal

Figuras: Figo, Rui Costa, Pauleta

A selecção do país anfitrião e equipa de todos nós. Com jogadores do calibre de Cristiano Ronaldo ou Maniche e o treinador que venceu o último campeonato do mundo, a vitória está assegurada. Nem se percebe por que é que as outras equipas não desistem já.

Rússia

Figuras: Ovchinnikov, Smertin, Mostovoi

Herdeiros da tradição futebolística da União Soviética, a Rússia é uma equipa aguerrida que não vem a Portugal só para marcar presença. Para ajudar ao seu desempenho, os jogadores russos, pouco habituados ao calor, contam com equipamentos especiais desenvolvidos pelos seus melhores cientistas e que mantêm uma temperatura constante de oito graus à volta do corpo. A morte trágica do médio Shakturin, jogador do Spartak de Moscovo, quando um destes equipamentos explodiu parece não ter deixado marcas na moral do colectivo.

Espanha

Figuras: Raul, Morientes, Baraja

Desta vez, “nuestros hermanos” não nos visitam só para comprar toalhas e vinho barato. Na bagagem que trazem do outro lado da fronteira, há espaço reservado para um troféu que a selecção espanhola já venceu no longínquo ano de 1964. A maior dificuldade do técnico Iñaki Sáez será evitar que os jogadores se dispersem em visitas ao El Corte Inglés ou entrando em autocarros de excursões a Fátima e Sintra.


Grupo B

Croácia

Figuras: Sokota, Prso, Mornar

Os croatas não são para brincadeiras. Quem duvidar, pergunte aos sérvios. Com um futebol ágil e criativo, a Croácia pode muito bem ser candidata a conquistar o primeiro título da sua história, apesar de a equipa ter sido submetida a um conjunto de mudanças radicais. A selecção que os croatas trazem a Lisboa tem a menor percentagem de jogadores com nomes terminados em “ic” da história deste jovem país. Uma jogada arrojada mas que poderá trazer resultados.

Inglaterra

Figuras: Beckham, Scholes, Owen

David Beckham é, actualmente, o futebolista mais mediático do mundo e esse mediatismo pouco se deverá às suas qualidades desportivas. Casado com a ex-Spice Girl, Victoria Adams, é alvo constante da atenção dos tablóides britânicos e mundiais que não hesitam em fazer manchete das suas infidelidades conjugais e dos pormenores mais insignificantes da sua vida doméstica. Levantar a taça poderá proporcionar manchetes mais positivas. E parece que a Inglaterra tem mais um jogador ou dois.

França

Figuras: Zidane, Vieira, Trezeguet

Depois de se ter tornado a primeira selecção a sagrar-se campeã do mundo e da Europa de forma consecutiva, a França, detentora do título, poderá estar à espera de repetir a proeza de 1984 e 2000 (à custa da selecção portuguesa nas duas ocasiões) e amealhar o terceiro campeonato europeu do seu palmarés. Para alcançar o objectivo, os gauleses contam com um conjunto de jogadores habituados a ganhar e ansiosos por mostrar como é forte a vontade de vencer francesa... e argelina... e portuguesa... e cabo-verdiana... e marroquina... e senegalesa... e...

Suíça

Figuras: Chapuisat, Yakin, Henchoz,

De regresso aos grandes palcos internacionais, os suíços parecem dispostos a abandonar a sua neutralidade histórica para se baterem de igual para igual com os adversários do grupo e talvez conseguirem ir longe no Euro. Se não conseguirem também não faz mal. Eles vivem bem e têm dinheiro e paisagens bonitas e chocolates e relógios e ski à fartazana. Querem lá saber...


Grupo C

Bulgária

Figuras: Petkov, Hristov, Manchev

A Bulgária queria ter entrado para a União Europeia no último alargamento. Por se considerar que o país ainda não tinha condições para aderir, terá de esperar pelo próximo alargamento, o que é uma grande chatice. Mas agora os búlgaros têm uma oportunidade de se vingar. Preparem-se que eles vêm aí e estão cheios de vontade de espancar traseiros comunitários.

Dinamarca

Figuras: Tomasson, Helveg, Gronkjaer

Eles são louros, altos e espadaúdos. E desta vez não vêm só para aproveitar o sol algarvio e apanhar escaldões. A Dinamarca já ganhou a prova em 92 de forma inesperada e é provável que queira repetir a surpresa. Mesmo que não ganhem desta vez, a beleza escandinava fica bem em qualquer estádio.

Itália

Figuras: Del Piero, Vieri, Totti

Tricampeões mundiais, campeões europeus em 68 e finalistas vencidos em 2000, poder-se-ia dizer que a Itália é uma potência do futebol. Mas não. Os italianos não estão interessados em vitórias porque, ganhem ou percam, joguem bem ou mal, serão sempre a equipa com mais estilo em qualquer competição. As outras selecções participam para ganhar. A Itália fá-lo como “fashion statement,” como forma de os jogadores exibirem as últimas tendências em equipamentos desportivos, penteados, joalharia e cosméticos. Ver um jogo da selecção italiana pode não ser o espectáculo desportivo mais emocionante do mundo mas será sem dúvida o mais proveitoso para o adepto moderno que gosta de manter uma imagem cuidada.

Suécia

Figuras: Larsson, Mjällby, Ljungberg

Eles são louros, altos, espadaúdos e não são dinamarqueses. A Suécia sempre foi o país escandinavo com melhores resultados no futebol, apesar de nunca ter ganho qualquer título a nível internacional. Em Portugal, não quererão deixar esse crédito por mãos alheias e prometem fazer a vida negra à concorrência. Para a tradicional combatividade sueca dentro do campo contribuirão o rancor provocado por terem um clima horrendo, viverem entalados entre noruegueses e finlandeses e terem o arenque como ingrediente base de toda a sua gastronomia.


Grupo D

República Checa

Figuras: Nedved, Poborsky, Koller

Sempre uma selecção temível, os checos talvez não estejam à altura da equipa-maravilha que conquistou o europeu de 1976 mas prometem passear a classe do seu futebol pelos relvados portugueses... Deixemo-nos de tretas. Toda a gente sabe que só cá vêm para nos esfregar na cara que eliminaram a selecção portuguesa em 1996. Cambada de bestas.

Alemanha

Figuras: Kahn, Ballack, Jeremies

Depois de algumas tentativas frustradas, a Alemanha desistiu de dominar militarmente a Europa e optou por o fazer nos campos de futebol. E os resultados têm sido francamente positivos. Três vezes campeã da Europa e duas vezes finalista derrotada, a Alemanha é a selecção com mais presenças em finais da competição. Ainda não foi este ano que conseguiram ficar no mesmo grupo que a Rússia, a França e a Inglaterra mas já não faltará muito. A vingança é um prato que se serve frio...


Letónia

Figuras: Bleidelis, Rimkus, Verpakovskis

Equipa surpresa deste europeu, poucos atribuirão algum favoritismo à inexperiente selecção letã. A seu favor têm o facto de serem virtuais desconhecidos e um arsenal de nomes complicados que, estampados nos ombros de cada jogador, são distracção garantida para o adversário mais concentrado. Parece que alguém errou quando disse que é bom os futebolistas serem alfabetizados.

Holanda

Figuras: Van Nistelrooij, Seedorf, Stam

Muitos pensam que a selecção holandesa ganhou a alcunha “laranja mecânica” devido à cor pouco habitual das suas camisolas. Não podiam estar mais longe da verdade. A equipa dos Países Baixos é assim chamada devido ao violento processo de lavagem cerebral a que cada jogador é sujeito com o objectivo de o convencer de um talento futebolístico que na realidade não tem, processo inspirado pelo filme “A Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick. Os resultados são avassaladores e, graças a eles, um país mais dado a construir diques, esculpir tamancos de madeira e cultivar flores conseguiu tornar-se uma potência futebolística. A conquista do europeu de 88 prova que a estratégia tem dado resultados.

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