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Santana Lopes contra aproveitamento político do resultado das eleições

O líder demissionário do PSD, Santana Lopes, mostrou-se profundamente desagrado com o aproveitamento político que tem sido feito dos resultados das eleições legislativas em vários sectores, considerando que “é lamentável haver gente que aproveita qualquer coisa para denegrir a credibilidade alheia.”´

Estas afirmações dizem respeito à análise feita por personalidades de vários sectores políticos, segundo as quais, a reduzida votação no PSD significaria que uma maioria considerável dos portugueses não estava satisfeita com a governação de Santana Lopes e queria retirar o poder à coligação PSD-CDS. Para o principal visado, análises deste tipo são maldosas e motivadas por segundas intenções. “Em política, as coisas nem sempre funcionam em termos de preto e branco,” explica Santana Lopes, “Existem vários tons de cinzento,” o que, em termos menos cromáticos, quererá dizer que pode haver outras explicações para o facto de ter havido uma redução tão significativa da votação dos partidos que suportaram os últimos governos.

Por exemplo, pelo reconhecimento do esforço de Santana e Portas para manter Portugal no rumo do progresso, da redução do deficit e da aproximação aos níveis de vida do Sudeste Asiático que lhes mereceu um descanso merecido, descanso esse que nunca aceitariam voluntariamente por um notável espírito de sacrifício patriótico e que teve de lhes ser imposto.

Outras hipóteses incluem sentimentos de pena do eleitorado para com José Sócrates (“por andarem a dizer que dava para o outro lado, coitadinho”), Jerónimo de Sousa (“que chatice ficar sem voz numa altura daquelas, coitadinho”) e Francisco Louçã (“ele sabe o que é gerar uma vida, coitadinho”).

De qualquer forma, Santana Lopes recusa-se a encarar a derrota nas eleições como uma crítica feita pelos portugueses ao seu trabalho, preferindo ver as coisas como um amistoso “vai lá fora apanhar ar que estás a ficar com má cara e dar uns tabefes nos brasileiros que tiveram a ideia do guerreiro menino e depois volta para nos continuares a maravilhar com o teu charme, arrojo político e cabelo sempre bem oleado,” prometendo que o seu regresso às lides políticas está assegurado depois de um interregno em que terá as metafóricas feridas do metafórico combate político metaforicamente lambidas por Cinha Jardim, Margarida Prieto e por uma metafórica mas esforçada Eunice Muñoz.

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